Acusados de corrupção vão a júri na China
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Associated Press De Pequim 
Centenas de ex-funcionários públicos chineses, alguns de alto escalão e cuja identidade não foi revelada, compareceram ontem a tribunais de cinco cidades do sul país. Todos são acusados de envolvimento em uma fabulosa rede de contrabando, no maior escândalo de corrupção em 51 anos de regime comunista.
A China castiga a corrupção com a pena de morte. Por esse motivo, segundo versões da imprensa de Hong Kong, o processo poderá tirar a vida de pelo menos 10 altos funcionários do Partido Comunista Chinês.
O julgamento do maior caso de contrabando descoberto até agora na China, desde a fundação do regime comunista em 1949, começou ontem de forma simultânea em quatro cidades do Sudeste do país.
Porta-vozes dos tribunais de Xiamen, Fuzhou, Zhangzhou e Quangzhou confirmaram que os processos tinham começado ontem, mas não forneceram mais detalhes.
Somente o porta-voz do tribunal de Quangzhou informou que nove pessoas seriam julgadas de ontem até o dia 19, principalmente por ter aceitado subornos.
As audiências são realizadas a portas fechadas e em segredo absoluto. As fontes oficiais se limitaram a confirmar que o processo está sendo realizado simultaneamente em cinco cidades da província de Fujian, sem informar os nomes dos acusados nem os cargos que eram ocupados por eles.
A ordem de segredo absoluto partiu de Pequim, que enviou uma equipe de 740 investigadores às cinco cidades. Por 13 meses, os investigadores esmiuçaram o gigantesco caso de contrabando, que sobreviveu por vários anos graças à cobertura de dirigentes do partido e do governo de Fujian.
O caso veio à tona ao ser descoberta a rede de tráfico organizada pela empresa Yuanhua, dirigida por Lai Changxin, cidadão de Hong Kong, mas originário de Fujian. Graças a seus influentes contatos, o empresário, que está foragido, contrabandeava petróleo, automóveis, peças de computadores, cigarros, entre outras mercadorias, em um negócio avaliado entre US$ 5 bilhões e US$ 9,6 bilhões.
O esquema só floresceu porque o Oriente Group, cujo diretor compareceu hoje diante da Justiça, fornecia permissões de importação falsas em troca do equivalente a US$ 2 milhões por ano.
O segredo imposto por Pequim ao pior caso de corrupção da China comunista tem seus riscos, já que o silêncio por parte da imprensa oficial gerou vários rumores, todos veiculados em sites de Internet e nos jornais de Hong Kong.
Uma das versões mais difundidas assegura que entre os acusados encontra-se a ex-mulher do atual secretário da célula do partido em Pequim, Jia Qinglin, um dos 22 membros do diretório nacional do PC e governador de Fujian de 1985 a 1995.
Em uma tentativa de neutralizar as suspeitas, os órgãos oficiais negaram até mesmo o divórcio de Jia, ocorrido, segundo fontes citadas pela mídia de Hong Kong, em dezembro do ano passado. Jia Qinglin é amigo pessoal do secretário-geral do PC e presidente chinês Jiang Zemin, chegando a ser seu padrinho de casamento. Tal fato, segundo a imprensa, comprovaria a hipótese de que o ex-governador conta com a proteção de Jiang.


