Acusações impresionam os lordes
A dúvida sobre a data exata em que o ex-ditador chileno Augusto Pinochet assumiu oficialmente a chefia de Estado no Chile - levantada na Câmara dos Lordes pelo advogado que representa a Justiça espanhola, Alun Jones - pode comprometer a estratégia da defesa do militar, que reivindica para ele o benefício da imunidade diplomática.
Jones lembrou, durante a exposição de argumentos que abriu na segunda-feira e prosseguia ontem, que Pinochet foi nomeado líder da junta militar chilena no dia do golpe contra o então presidente constitucional do país, Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973. Ele, porém, só foi declarado oficialmente chefe do Estado nove meses depois, em 26 de junho de 1974. Entre a primeira e a segunda data foram cometidas muitas das atrocidades pelas quais a Justiça da Espanha quer julgar o ex-ditador.
Jones recordou também que Pinochet cometeu vários delitos nos dias que precederam o golpe. Ele disse ter evidências de que oficiais da Marinha que não simpatizavam com o general foram torturados e presos ilegalmente sob suas ordens para evitar que revelassem o plano do golpe que já estava em marcha.
Se essas alegações forem dignas de crédito, o réu não tem motivos para reivindicar imunidade e poderemos todos ir para casa, declarou o presidente do painel de sete lordes juízes que têm nas mãos o futuro do ex-ditador, Nicholas Browne-Wilkinson.
Ele pediu ao Ministério de Relações Exteriores da Grã-Bretanha um certificado que esclareça exatamente quando Londres reconheceu Pinochet como chefe de Estado. Browne-Wilkinson pediu também a Jones que apresente hoje as evidências de que o ex-ditador e seus seguidores se envolveram em uma conspiração para espalhar o terror político e torturar pessoas antes mesmo de tomar o poder.France-PresseAnti-PinochetSola Sierra, líder dos familiares de detidos desaparecidos sob o regime de Pinochet, viajou a Londres para presenciar as audiências da Câmara dos Lordes.Reuters





