São Paulo - O primeiro-ministro da Ucrânia, Mykola Azarov, comemorou ontem o acordo do país com a Rússia, o qual chamou de "histórico". Para ele, as mudanças no preço do gás e a compra de títulos públicos feita por Moscou "salvaram a economia ucraniana da falência".
O acordo foi anunciado terça-feira, após encontro dos presidentes ucraniano, Viktor Yanukovich, e russo, Vladimir Putin. A oposição, que protesta há três semanas contra a recusa da adesão à União Europeia, se irritou ainda mais com o governo e o acusou de vender a ex-república soviética ao Kremlin.
Em reunião do conselho de ministros, Azarov ainda criticou o acordo de associação com a União Europeia que foi recusado por Yanukovich. Para o chefe de governo, a entrada no bloco europeu "teria provocado a falência e o colapso social".
"Após três anos e meio de um contrato de gás que dessangrava todos os dias a economia, o presidente deu fim a uma traição aos interesses nacionais cujos responsáveis são os que agora provocam a instabilidade no país", afirmou, em referência aos tratados assinados pela ex-primeira-ministra opositora Yulia Tymoshenko.
Em outras ocasiões, o atual chefe de governo responsabilizou sua antecessora pela situação de dependência em relação a Moscou. Devido à assinatura do acordo, Tymoshenko foi condenada e cumpre uma pena de sete anos de prisão por abuso de poder, que é contestada por ativistas de direitos humanos e opositores.
Ele ainda afirmou que não há ameaça à estabilidade econômica ucraniana e criticou a oposição por manter os protestos contra o governo. "Não vamos permitir que ninguém desestabilize uma situação que normalizamos com tanto esforço."
Segundo o acordo firmado, a Rússia comprará US$ 15 bilhões (R$ 34,5 bilhões) em títulos da dívida pública ucraniana e reduzirá em cerca de 30% o preço do gás vendido a Kiev.
Mesmo com o pacto com Moscou, Yanukovich não descartou a associação com os europeus, embora tenha pedido 20 bilhões de euros (R$ 66 bilhões) a Bruxelas para poder entrar no bloco.

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