São Paulo - O premiê palestino, Ismail Haniyeh - do Hamas -, afirmou ontem ter chegado a um acordo com o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas - do Fatah -, para dar fim à violência na faixa de Gaza e na Cisjordânia, que matou dez pessoas na quinta-feira. Os confrontos eclodiram na região desde que Abbas anunciou sua intenção de convocar eleições parlamentares e presidenciais antecipadas, após o fracasso do diálogo para a formação de um governo de união. O anúncio causou grande descontentamento do Hamas.
Após uma reunião realizada na quinta-feira, Haniyeh afirmou que ele e Abbas concordaram em ''retirar todos os homens armados das ruas'' e destacar forças policiais para manter a lei e a ordem. Abbas não se pronunciou publicamente, mas diplomatas que participaram da reunião - a primeira entre Abbas e Haniyeh em dois meses - confirmaram que um acordo foi selado.
Também ontem, os Estados Unidos anunciaram que irão repassar US$ 86 milhões para reforçar as forças de segurança leais a Abbas, uma medida que expande o envolvimento americano na disputa interna entre Hamas e Fatah pelo controle do governo palestino.
A contínua violência entre as facções são resultado da crise política entre o Hamas, que controla o Parlamento e o gabinete de governo, e Abbas, do Fatah, que foi eleito separadamente como presidente e vêm pressionando pela formação de um governo de coalizão.
A chegada do Hamas ao poder, em março de 2006, foi recebida com um boicote financeiro internacional à ANP. A comunidade internacional tenta pressionar o grupo a reconhecer o Estado de Israel, renunciar à violência e formar um governo de coalizão com o Fatah.
Eleições - Em uma forte manobra de pressão, Abbas anunciou em dezembro que pretende convocar eleições antecipadas para pôr um fim ao impasse político. Ele não descartou, no entanto, a possibilidade de alcançar um acordo com o grupo islâmico, segundo informações da OLP.
O Hamas imediatamente condenou a decisão de Abbas e afirmou que o presidente da ANP não tem autoridade para convocar novas eleições. A OLP é a entidade que reúne a maioria dos grupos palestinos, tanto nos territórios como no exílio. O Fatah tem controle absoluto da instituição. O Hamas e o Jihad Islâmico não integram a entidade.
O bloqueio financeiro deixou o governo palestino incapaz de pagar salários integrais a mais de 165 mil trabalhadores.

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