Acordo para o envio de ajuda ao Zaire
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Das agências, de Ottawa 
Os 20 países membros da coalizão humanitária internacional de auxílio aos refugiados no leste do Zaire aprovaram formalmente, ontem, o estabelecimento de uma força multinacional que será comandada pelo general canadense Maurice Baril, segundo revelaram responsáveis canadenses.
O envio de tropas, autorizado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, ficou muito difícil por causa da hesitação dos EUA em participar da operação e do conflito de interesses entre os governos, etnias e movimentos armados da região.
O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Paul Stromberg, reconheceu que o lançamento de alimentos de pára-quedas é o último recurso para fazer a ajuda chegar aos hutus que estão no Zaire, mas criticou a pouca disposição do Ocidente de enviar soldados. Sem efetivos, como vamos organizar a distribuição da ajuda?, protestou.
Mais de 500 mil refugiados hutus já retornaram para Ruanda, de onde fugiram em 1994, após a guerra civil ruandesa. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 250 mil ainda vagam pela região dos Grandes Lagos, onde rebeldes da etnia rival tutsi lançam ofensivas contra o Exército zairense. Ontem, os guerrilheiros tomaram - praticamente sem combate - a cidade zairense de Butembo, no norte do país. Os rebeldes já controlam quase todo o leste do Zaire, inclusive as duas principais cidades da região, Goma e Bukavu.
Temor belga A Bélgica teme a desintegração de sua ex-colônia do Zaire em caso de secessão das províncias orientais de Kivu do Norte e Kivu do Sul, considerando que o Presidente Mobutu Sese Seko já não está em condições de impor a unidade do país.
Todo mundo teme uma desintegração desse grande país, que afetaria seus vizinhos, afirmou um alto funcionário belga, criticando o apoio que o Governo francês continua dando a Mobutu, atualmente em convalescença no Sul da França.
Será que Mobutu ainda pode fazer algo positivo por seu país?, questionou o funcionário. Esse homem teve 35 anos de poder para desenvolver seu país, onde não resta grande coisa e o povo não tem nada, argumentou, denunciando a corrupção que reina no Zaire.
A Bélgica considera que a união do Zaire continua sendo muito importante e sua desintegração teria consequências para muitos países vizinhos, como Uganda, Burundi ou Angola. Uma das soluções poderia ser avançar para uma descentralização e um federalismo, estimou o funcionário.
Zaire, Ruanda e Burundi foram colônias da Bélgica até o início dos anos 60. Hoje, as autoridades belgas não poderiam itnervir em um conflito entre as forças governamentais zairenses e os rebeldes banyamulenges sem ser acusadas de segundas intenções.
Estamos em muito má posição para dar lições a alguém, reconheceu o funcionário, que não quis se identificar.
Assim como a França, a Bélgica defendeu incansavelmente nas últimas semanas o envio de uma força multinacional para a região de Kivu.


