Acordo não sai e Otan amplia bombardeio
Associated Press
O impasse nas duas frentes - política e militar - das negociações sobre o plano de paz do Grupo dos Oito (os sete países mais ricos e a Rússia) levou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a intensificar ontem os ataques aéreos contra a Iugoslávia (Sérvia e Montenegro), que haviam sofrido sensível redução desde a aceitação verbal do acordo na semana passada por Belgrado.
Os comandantes iugoslavos rejeitaram a proposta de roteiro da retirada das tropas sérvias de Kosovo, apresentado a eles sexta-feira na fronteira macedônia pela Otan. E a Rússia, durante reunião dos chanceleres do G-8, em Bonn, impôs ontem condições para aprovar o texto final do plano de paz: suspensão dos bombardeios e entrega do comando da força de paz à ONU (exigências rejeitadas pelos demais integrantes do G-8).
Na questão militar, não ficou acertado nenhum novo encontro enfre oficiais de alta patente de ambas as partes. Mas, segundo a agência sérvia Tanjug, houve novos contatos ontem.
Os sérvios abriram um mecanismo de comunicação entre oficiais de segundo escalão, explicou o porta-voz da Otan, Jamie Shea. Os sérvios têm o nosso telefone, acrescentou o porta-voz militar, general Walter Jertz, ressaltando que o roteiro de retirada, entregue aos iugoslavos, é inegociável. O que os sérvios propõem não garante um retorno seguro dos refugiados.
A Otan exige a retirada de mais de 40 mil soldados, policiais e agentes secretos sérvios e seus respectivos aparatos militares da província num prazo de sete dias, além do fornecimento de um mapa preciso das minas terrestres instaladas por eles ao longo das fronteiras albanesa e macedônia.
Os comandantes sérvios alegam que a Otan acrescentou uma série de imposições que não constam do plano do G-8, aceito em Belgrado por Milosevic e referendado pelo Parlamento da Sérvia. E disseram que só permitirão o ingresso da força da paz no país quando o Conselho de Segurança da ONU aprovar o plano do G-8.
Em Washington, o presidente Bill Clinton voltou a advertir: os bombardeios só serão suspensos quando Belgrado acatar o cronograma de retirada da Otan. Ele telefonou ao colega russo, Boris Yeltsin, para uma análise da situação, informou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin.
Clinton pediu a colaboração de Yeltsin para uma rápida solução dos impasses militar e político. Os dois presidentes decidiram pedir a seus chanceleres reunidos em Bonn que cheguem a um acordo sobre o texto final da resolução que será submetida ao Conselho de Segurança, acrescentou Rubin.
A agência russa Interfax confirmou o telefonema, referindo-se a ele como iniciativa de Clinton. Segundo a agência, Yeltsin voltou a insistir no fim da agressão da Otan contra a Iugoslávia.
Logo após o contato com Yeltsin, Clinton - que já havia telefonado para o primeiro-ministro britânico, Tony Blair - pediu uma convocação urgente do Conselho de Segurança para votar à tarde a resolução, cuja redação final, julgava, seria aprovada sem problemas pelos chanceleres do G-8. Contudo, diante de inesperadas objeções do chanceler russo, Igor Ivanov, a aprovação do texto foi adiada para hoje e a reunião do Conselho de Segurança teve de ser suspensa.
Ivanov pediu tempo para novas consultas ao Kremlin sobre divergências fundamentais em três dos 20 artigos do plano de paz, incluindo a questão do comando da força internacional e o encerramento da campanha aérea.
No palco da guerra, as sirenes voltaram a soar em Belgrado depois de vários dias, indicando novos bombardeios.
A aviação da Otan atacou as cidades de Podgorac (fronteira búlgara), Sjenica (oeste da Sérvia) e Jagodina e Kraljevo (ambas no centro do país). Em Pdgorac, foram destruídas instalações da empresa Ekofarma. Segundo a agência Tanjug, houve mais vítimas civis.
O presidente iugoslavo recebeu telefonema do presidente finlandês, Martti Ahtisaari, representante da União Européia na negociação, pedindo a ele respeito ao que ficou combinado. Milosevic disse que cumprirá todos os itens. Mas, segunda a mídia sérvia controlada pelo governo, a integridade territorial do país está garantida, até mesmo porque nenhum documento foi assinado.Impasse nas frentes política e militar acaba com o otimismo do final de semana entre diplomatas que esperavam um cessar-fogo nos Bálcãs
Fotos: France PresseDiplomaciaChanceleres do G-8 em Bonn: esq. p/ a dir.: Hubert Jedrine (França), Madeleine Albrigth (EUA), Hans Van Der Brock (UE) e Robin Cook (Grã-Bretanha)Força de ocupaçãoA Otan continua ampliando seu contingente na Albânia e Macedônia esperando o momento de entrar em Kosovo





