São Paulo - O governo da Colômbia ainda não descartou a possibilidade de enviar ao Congresso o acordo que permite que os EUA utilizem sete bases militares colombianas, disse ontem a chanceler María Ángela Holguín. O texto havia entrado em vigor no ano passado sob patrocínio do governo do então presidente Álvaro Uribe. Mas em agosto deste ano foi invalidado pela Corte Constitucional, que considerou que o tema deveria ter tramitado no Congresso colombiano. ‘‘Nós temos a mesma posição do dia seguinte à decisão da corte. Vamos esperar [os detalhes], estudá-los, e então se encaminhará uma definição’’, disse Holguín.
  Na semana passada, a vice-presidente do Senado, Alexandra Moreno, disse que o presidente colombiano, Juan Manuel Santos - que foi ministro da Defesa de Uribe e se elegeu com o seu apoio -, não tem intenção de apresentar o acordo no Congresso.
  A senadora disse que o mandatário, que assumiu o cargo no começo de agosto, manifestou aos congressistas a intenção de ‘‘deixar quieto’’ o projeto. ‘‘O presidente nos manifestou que não vai tramitá-lo no Congresso, que vai deixá-lo quieto’’, afirmou Moreno.
  Segundo Holguín, as declarações de Moreno foram mal interpretadas, uma vez que o governo Santos não pretende tomar uma decisão antes de divulgação dos detalhes do julgamento da corte.
  O anúncio do acordo, em julho do ano passado, ainda no governo Uribe, desatou uma grave crise regional, atraindo críticas de Brasil, Venezuela, Bolívia e Equador, entre outros países sul-americanos. O entendimento entre Bogotá e Washington previa o uso pelos EUA de sete bases colombianas, segundo a Colômbia como forma de dar continuidade à parceria bilateral no combate ao narcotráfico e a guerrilhas como as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). Para críticos, no entanto, significa uma ingerência dos EUA na América do Sul, fornecendo a Washington um entreposto militar para operações no subcontinente.

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