As Nações Unidas esperam organizar, hoje, o ato oficial da assinatura do acordo interafegão de Bonn sobre a transição política em Cabul. ''Esperamos, se tudo correr bem, poder ter uma cerimônia de assinatura amanhã'' (hoje), declarou à imprensa Ahmad Fawzi, porta-voz do representante da ONU para o Afeganistão, Lajdar Brahimi.
As facções afegãs reunidas em Bonn alcançaram na madrugada de ontem um acordo histórico sobre um governo provisório em Cabul, mas ainda precisava negociar durante o dia de ontem a composição desse governo, baseada numa proposta de compromisso da ONU. ''As partes se dão conta de que precisam chegar a um acordo hoje'' (ontem) sobre os nomes, disse Fawzi, destacando uma ''aproximação sensível'' das quatro delegações presentes em Bonn nos últimos dias.
Mas a repartição das cadeiras entre as diversas facções é ''um passo difícil a dar'', advertiu. Ao ser consultado sobre a instalação do novo poder em Cabul, Fawzi reconheceu que ainda há ''um espaço em branco'' no acordo para a data. ''Vamos tentar preencher esse espaço consultando o professor Burhanuddin Rabbani'', presidente afegão derrubado em 1996, mas ainda reconhecido pela ONU, que regressou a Cabul após a tomada da capital pela Aliança do Norte.
Para a escolha da data ''terá de considerar a necessidade urgente de uma transição política para o povo do Afeganistão'', advertiu. O porta-voz também evocou Rabbani para ''continuar apoiando'' as negociações interafegãs.
Mulher Uma das cinco vice-presidências do governo interino de Cabul caberá a uma mulher, anunciou ontem o ministro das Relações Exteriores da Frente Unida da Oposição, Abdullah Abdullah.
Recebendo um grupo de jornalistas, o ministro assinalou que o governo, composto por 29 membros, será formado por um presidente, cinco vice-presidentes e 23 ministros. A composição étnica nacional será respeitada rigidamente, e 11 dos 29 postos serão para os pashtuns (que representam 38% da população afegã).

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