MOSCOU - A Rússia e a Otan, após quatro meses de negociações, concluíram ontem um acordo que regerá suas relações futuras e evitará novos confrontos entre o Oriente e o Ocidente, apesar da ampliação da Aliança Atlântica para os antigos países socialistas europeus.
Se o presidente russo, Boris Yeltsin, e os dirigentes dos 16 países-membros da Aliança aprovarem este acordo, ‘‘será um acontecimento histórico’’, destacou o porta-voz do Ministério francês das Relações Exteriores, Jacques Rummelhardt.
O chanceler russo, Evgueni Primakov, e o secretário-geral da Otan, Javier Solana, após um dia e uma noite de árduas negociações, deram a notícia à imprensa.
‘‘Chegamos a um acordo pleno, incluídos os aspectos militares e políticos’’, destacou um Primakov radiante.
‘‘Acredito que é uma grande vitória para a razão, para a comunidade mundial, para a Rússia e para outros países interessados na paz’’, acrescentou.
Horas depois do anúncio oficial do acordo, que deverá ser assinado no próximo dia 27, em Paris - caso não haja imprevistos de última hora -, o chefe do serviço de imprensa do Kremlin, Alexei Gromov, viajou para a França a fim de iniciar os preparativos da cerimônia de assinatura.
Embora os detalhes não tenham sido divulgados, o fato mesmo de ter havido um acordo é um sucesso enorme, considerou o diretor-adjunto do instituto EUA-Canadá da Academia de Ciências de Moscou, Viktor Kremeniuk, para quem este acordo evita a crise que teria podido surgir entre Rússia e Otan devido à ampliação.
‘‘Trata-se também de uma grande vitória das pessoas razoáveis sobre a dos extremistas na Rússia’’, continuou.
Enquanto isso, para o ministro russo da Defesa, Igor Rodionov, que está em visita oficial em Washington, este acordo é conveniente tanto para a Rússia quanto para os Estados Unidos.

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