Os primeiros sinais de distensão política surgiram em Belgrado com os acordos obtidos na madrugada de ontem entre a Oposição Democrática da Sérvia (DOS) e os aliados do ex-presidente Slobodan Milosevic, depois de uma semana de tensões causadas pela formação de um governo de transição.
Representantes da DOS, da coalizão eleitoral de 18 partidos anti-Milosevic, e do Partido Socialista da Sérvia (SPS, de Milosevic) chegaram na madrugada de ontem a um acordo sobre a formação deste governo e sobre a organização de eleições legislativas antecipadas, previstas para 24 de dezembro, segundo a DOS.
‘‘Chegamos a um acordo de princípio sobre as eleições e sobre a formação de um governo técnico para superar o período difícil que atravessa o país’’, declarou Zoran Djindjic, um dos principais líderes da DOS.
Também indicou que se chegou a um acordo sobre o controle de quatro ministérios-chaves: Interior, Justiça, Economia e Informação.
Segundo Djindjic, cada um desses quatros ministérios será dirigido formalmente por um membro das formações comprometidas nas negociações, mas todas as decisões serão tomadas por um colégio no qual participarão, na direção de cada ministério, representantes de todos os partidos.
Para o posto de primeiro-ministro sérvio, no governo de transição, deverá ser escolhido um membro do SPS, apesar do atual titular, Mirko Marjanovic, não ser confirmado no cargo.
‘‘Aceitamos que o primeiro-ministro seja do SPS, mas deve ser uma personalidade moderada, alguém que não tenha atuado de maneira negativa durante os últimos tempos’’, declarou Djindjic.
Zoran Adjelkovic, novo secretário do SPS, foi menos explícito que os dirigentes da DOS, limitando-se a dizer que as entrevistas transcorreram numa ‘‘atmosfera construtiva e muito correta’’.
Estas entrevistas deveriam prosseguir ontem e resultar, segundo a DOS, na elaboração de um projeto de acordo que será garantido pelos presidentes da Sérvia, Milan Milutinovic, e da Iugoslávia, Vojislav Kostunica.
Os socialistas aceitaram, segundo a DOS, a divisão dos ministérios-chaves. A DOS, por sua parte, aceitou a manutenção dos socialistas em postos importantes destes ministérios, assim como a liderança do governo.
Biarritz Os chefes de Estado e de Governo da União Européia (UE) receberam ontem, durante o almoço da cúpula de Biarritz (sudoeste), o novo presidente iugoslavo, Vojislav Kostunica, depois de terem concedido, na véspera, 200 milhões de euros (US$ 170 milhões) à Sérvia.
Com o convite feito a Kostunica, a UE quer transmitir seu desejo de que a República Federal Iugoslava (RFY) passe a fazer parte da família européia.
A UE suspendeu na segunda-feira passada o embargo petroleiro e aéreo à República Federal Iugoslava (RFY, Sérvia e Montenegro), além da proibição de investimentos europeus na Sérvia.
A ajuda concedida anteontem cobrirá necessidades nos setores da saúde, energia e ensino até o final do ano, indicou a Comissão Européia. Além da ajuda de emergência, a UE estuda uma cooperação a longo prazo com o país.