France PresseConfiançaA banda do Ballynafeigh Walkers Club também participou da parada dos Apprentice na Capital do Ulster: mundo confia no fim dos conflitosO acordo de paz da Irlanda do Norte superou ontem com sucesso seu perigoso primeiro ‘‘teste’’ quando o primeiro grande desfile protestante da temporada pôde percorrer as ruas de Belfast sem os habituais incidentes violentos. ‘‘Estou encantado por terem mostrado tal grau de maturidade. Espero que isto seja o símbolo de um novo tempo para a Irlanda do Norte’’, disse satisfeito o comissário de polícia Stephen Grange, depois de ver passar os Apprentice Boys, uma das três principais confrarias protestantes da província.
Levando no pescoço um cachecol vermelho e avançando com passo lento e ritmado atrás de uma bandeira com o brasão da Coroa britânica, vários membros da organização começaram a desfilar de manhã ao som de flautas e de bumbos.
O ritual e o folclórico conservam seu caráter invariável, apesar de este ano se registrar uma mudança muito importante. A direção dos Apprentice Boys aceitou de antemão não atravessar um bairro de maioria católica do Sul de Belfast, uma ‘‘intrusão’’ considerada como uma provocação e que sempre deu lugar a confrontos nos últimos anos.
Nesse gesto de apaziguamento, só três dias depois da conclusão de um acordo que suscita esperanças de reconciliação, os representantes da organização não quiseram provocar os católicos, cedendo à pressão dos protestantes moderados de David Trimble e da comissão estabelecida especialmente por Londres para impedir, sempre que fosse possível, as explosões de violência.
Senhores de ‘‘certa idade’’ com chapéu ou adolescentes trazendo no peito a etiqueta ‘‘Jovens Unionistas’’, os Apprentice Boys desfilaram até a Ponte de Ormeau, fronteira invisível com o ‘‘território católico’’.
O porta-bandeira do grupo parou um momento em frente ao oficial de polícia que vigiava a passagem diante de uma barreira metálica e uma fila de veículos blindados. Com expressão séria, entregou uma carta de protesto pelo fechamento da ponte, depois deu meia-volta e voltou a seus passos.
O grupo se uniu depois com outros cortejos de Apprentice Boys, que se preparavam para uma grande parada nas ruas de Ballymena, ao Norte, no coração do feudo do reverendo fundamentalista Ian Paisley.
Perigo A determinação dos governos britânico e irlandês, dispostos a concluir as negociações de paz no fim da semana passada, deve-se à preocupação de evitar os confrontos que sempre acontecem no início do período dos desfiles.
Destinados a comemorar vários acontecimentos históricos, alguns dos quais remontam a mais de três séculos, estes fatos permitem às duas comunidades afirmar sua identidade e demarcar seu território.
Só umas quinze das 2.800 marchas que se realizarão entre abril e outubro prometem verdadeiros problemas, já que atravessam zonas ‘‘inimigas’’, e em sua maioria são orangistas (protestantes). A marcha dos Apprentice Boys em Belfast faz parte dessa maioria.
Na realidade, se os Apprentice Boys mudaram seu itinerário ontem, fizeram-no sob pressões. ‘‘Realmente estou decepcionado com a decisão de nossos chefes’’ disse um jovem de 26 anos. ‘‘Observe o rosto das pessoas, estão todas muito abatidas’’. Um ex-militar, que continha sua ira a duras penas, afirmou: ‘‘Sempre temos que fazer concessões aos católicos, mas eles nunca nos dão nada’’.
As tatuagens em seus braços e o escudo de sua camiseta não deixavam dúvidas sobre suas convicções: ‘‘Por Deus e pelo Ulster: UVF’’, as iniciais da milícia protestante Ulster Volunteer Force.

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