Acordo de paz não tem efeito e 100 morrem no Congo
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domingo, 11 de agosto de 2002
Agência Folha 
Kinshasa - Pelo menos cem pessoas morreram em quatro dias de combates entre facções rebeldes rivais em Bunia, cidade no nordeste da República Democrática do Congo (ex-Zaire), segundo porta-vozes das Nações Unidas no país. Muitas das vítimas eram crianças ou mulheres.
Os confrontos entre a milícia Agrupação Congolesa para a Democracia-Movimento de Libertação (ACD-ML) e membros da tribo hema, que recebem ajuda de Uganda, começaram na semana passada.
A região sofre com uma devastadora guerra civil há quatro anos. Bunia está a 50 km da fronteira com a Uganda.
Observadores da ONU encontraram ontem cadáveres de cerca de 15 pessoas na casa do comandante da ADC-ML em Bunia, que fugiu com suas tropas pouco antes de o local ser ocupado por hemas e soldados de Uganda.
Outros 85 corpos já haviam sido encontrados na sexta-feira em diversos bairros da cidade.
Os conflitos em Bunia são um banho de água fria nas esperanças pelo fim da guerra civil surgidas no mês passado, quando Congo e a vizinha Ruanda assinaram um acordo de paz, embora o número de outras facções envolvidas no conflito sempre deixe dúvidas quanto ao fim da guerra.
O conflito já deixou cerca de dois milhões de mortos.
''A maioria das vítimas são combatentes não identificados mortos com golpes de machetes'', disse o porta-voz da ONU Hamadoun Toure.
A ONU não mantém tropas no Congo, apenas faz um trabalho de observação.
Segundo moradores de Bunia, a situação na cidade estava mais calma ontem, após a chegada dos soldados de Uganda, que prenderam cinco combatentes.
Eles ainda temem, porém, a possibilidade de ocorrerem novos choques.
A guerra civil no Congo começou em 1998, quando a Ruanda e a Uganda invadiram o país para apoiar rebeldes que lutavam contra o governo.
Zimbabwe, Angola e Namíbia enviaram tropas para auxiliar o Exército do Congo.
A Uganda afirmou que, no ano passado, retirou a maior parte de suas tropas da região noroeste de Congo, o que causou um aumento na violência no local, semelhante à situação de Bunia.


