Acordo de Israel com palestinos volta a estremecer
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quinta-feira, 19 de maio de 2005
Folhapress 
São Paulo - Forças de segurança israelenses anunciaram ontem que irão atacar qualquer palestino que disparar foguetes contra as comunidades judaicas na faixa de Gaza. O anúncio estremece ainda mais o acordo de paz verbal feito entre palestinos e israelenses.
O aviso acontece dois dias depois da escalada de violência na região da faixa de Gaza, onde supostos militantes do grupo extremista palestino Hamas atiraram foguetes Qassam (de fabricação caseira) contra colônias judaicas, em decorrência da morte de dois palestinos ontem.
''Temos que agir de maneira mais agressiva do que temos feito até agora'', afirmou o vice-ministro da Defesa Zeev Boim à rádio pública de Israel. Segundo o jornal israelense ''Haaretz'', forças de segurança israelenses afirmaram que mais de 60 foguetes Qassam atingiram as colônias judaicas na faixa de Gaza nos últimos dois dias.
''Ninguém pode imaginar que faremos a retirada (dos colonos da região) sob fogo'', disse Boim, em uma referência ao plano de retirada de Israel da faixa de Gaza previsto para meados de agosto. ''Se a Autoridade Nacional Palestina (ANP) não compreende a mensagem, faremos com que compreenda'', advertiu.
O surgimento da violência na região ameaça a trégua entre palestinos e israelenses, fruto de um acordo verbal realizado entre o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, durante a cúpula de Sharm el Sheikh (Egito), realizada em 8 de fevereiro último.
Ontem Sharon teve um encontro com o ministro israelense da Defesa, Shaul Mofaz, para discutir a nova escalada de violência na região. De acordo com o ''Haaretz'', a reunião foi realizada com o objetivo de ''avaliar uma nova incursão em Gaza''.
Mas o governo israelense também diz acreditar que os ataques do Hamas têm por objetivo atingir a ANP, já que os líderes do grupo estariam insatisfeitos com a decisão de uma corte em Rafah que invalidou o resultado das eleições em três distritos onde o Hamas havia assegurado sua vitória.
A tensão entre palestinos e israelenses recomeçou após a morte de um palestino na manhã de terça-feira. Militantes do Hamas dizem que um homem apenas fazia o patrulhamento em Gaza quando um artefato explosivo atirado por soldados israelenses o atingiu na manhã de ontem. O Exército israelense disse, em contrapartida, que soldados não podem ser responsabilizados pela morte, já que não costumam atacar as patrulhas.
Um porta-voz dos militares disse que o palestino morreu quando tentava lançar uma bomba que acabou sendo detonada prematuramente. Logo depois, supostos militantes passaram a atirar foguetes contra as colônias israelenses, o que provocou a ação do Exército de Israel. Um suposto militante do grupo extremista palestino Hamas morreu devido a ferimentos causados por soldados.


