São Paulo - Uma comissão parlamentar japonesa concluiu que o acidente nuclear da usina de Fukushima foi um ''desastre causado pelo homem'', e não apenas a consequência do terremoto e tsunami de 11 de março do ano passado.
A conclusão foi divulgada ontem, apontando que houve responsabilidade do governo, das autoridades de regulação e da empresa Tokyo Electric Power -que ''falharam em seu dever de proteger as pessoas e a sociedade''.
A comissão afirma, em informe, que culpar o tsunami é ''uma desculpa para evitar as responsabilidades''. ''Apesar de ter tido várias oportunidades para tomar medidas, as agências de regulação e a direção da Tepco deliberadamente não fizeram nada, postergaram suas decisões ou tomaram as medidas que lhes eram convenientes'', informa a comissão.
O relatório afirma que as autoridades envolvidas sabiam desde ao menos 2006 que havia risco de acidente em Fukushima em caso de um tsunami de grande porte.
Assim, o texto fala de adiamento ''intencional'' das medidas de segurança cabíveis. Dessa maneira, a má condução da questão ''traiu o direito nacional de estar a salvo de acidentes nucleares''.
A comissão é formada por dez membros apontados pelo Parlamento em dezembro. O relatório é resultado da entrevista de 1.167 pessoas. Houve também inspeção das instalações de Fukushima.
Horas antes de o painel parlamentar fazer essas declarações, o Japão voltou a usar energia nuclear pela primeira vez em dois meses.
A retomada do funcionamento do reator de Ohi, no oeste do Japão, causa controvérsia, com críticos sugerindo que o governo não fez o bastante para garantir que não haverá outro acidente.
Funcionários do governo, porém, afirmam que o reator de Ohi já passou por testes de segurança. As autoridades japonesas esperam religar outros reatores em breve.

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