Acidente levanta fortes suspeitas
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sexta-feira, 07 de fevereiro de 1997
Jacques Lhuillery, da France Presse 
France PresseA comoção de duas jovens durante o sepultamento de um soldado em JerusalémBEIRUTE - O Líbano está convencido de que os 73 soldados israelenses que morreram na última terça-feira em um acidente aéreo se preparavam para realizar uma ação de comandos em território libanês. O tamanho e a composição da força, assim como a quantidade de explosivos a bordo dos dois aparelhos, indicam que os israelenses preparavam uma importante operação de ataque ou de sequestro de alguma personalidade, declarou ontem o presidente do Parlamento libanês, Nabih Berri, líder do movimento xiita Amal (Esperança).
As especulações a respeito foram alimentadas por informações de canais de tevês britânicos e norte-americanos no sentido de que vários dos soldados mortos no choque dos helicópteros estavam à paisana.
O movimento xiita Hezbolá (Partido de Deus) também considerou que o acidente evitou uma agressão ao Líbano. O secretário-geral do movimento, Naim Kassem, afirmou que os militares mortos no acidente faziam parte de uma unidade de elite encarregada de missões especiais.
As autoridades israelenses informaram, em contrapartida, que os dois helicópteros faziam o transporte de rotina dentro das operações normais de revezamento dos efetivos.
No passado, Israel utilizou helicópteros para realizar operações especiais, infiltrando-se em território libanês.
Em fevereiro de 1994, vários helicópteros chegaram até o centro da colina de Bekaa para sequestrar Mustafá Dirani, islamita que Israel suspeitava estar informado sobre a sorte do piloto israelense Ron Arad, desaparecido no Líbano em 1986.
Em 1992, Israel também utilizou helicópteros para matar o dirigente do Hezbollah, Abbas Mussaui, cujo veículo foi bombardeado com mísseis em uma estrada do Líbano.
Durante os bombardeios israelenses de abril de 1996, vários helicópteros israelenses foram enviados ao porto de Saida e bombardearam com mísseis antitanques a residência de um dirigente palestino oposto aos acordos de paz, Munir Maqdah.
Sua casa, situada no acampamento de refugiados de Ain Helue, foi totalmente destruída, mas o dirigente palestino escapou ileso.
LutoToda Israel chorou ontem durante o enterro da maioria dos 73 jovens soldados mortos na noite de terça-feira no choque de dois helicópteros militares, perto da fronteira libanesa.
Os dois principais jornais do país, Yediot Aharonot e Maariv, publicaram na primeira página as fotos vítimas, com as legendas: Nunca voltarão, Os melhores de nossos filhos.
Tragicamente unidos pelo destino, esses jovens eram um fiel reflexo de seu país. Entre eles estavam drusos, judeus etíopes, beduínos, imigrantes da antiga União Soviética, askenazis (judeus da Europa do Leste) dos bairros elegantes de Tel Aviv, sabras (israelenses nascidos na Palestina), judeus religiosos de Jerusalém, sefarditas das cidades em desenvolvimento, jovens executivos, e reservistas pais de família.


