Tóquio - Um vazamento de vapor não radioativo na usina nuclear japonesa de Mihama, em Fukui (cerca de 300 km ao oeste de Tóquio), matou quatro pessoas e causou graves queimaduras em outras sete nesta segunda-feira, informaram autoridades locais. A tragédia aconteceu justamente no dia em que há 59 anos os Estados Unidos fizeram explodir uma segunda bomba nuclear contra o Japão, na cidade de Nagasaki.
O incidente de Mihama, com o maior número de vítimas já registrado em uma usina nuclear do país, aconteceu por volta das 15h28 locais, quando o funcionamento de um dos três reatores da central, o N3, foi interrompido automaticamente, assim como o de uma turbina, devido a um alerta de origem desconhecida, segundo comunicado da administradora, a Companhia Elétrica de Kansai (KEPCO).
O vapor vazou então para a sala de turbinas, atingindo as pessoas que estavam no local, de acordo com a empresa responsável pelo estabelecimento. Segundo a agência de notícias Jiji, a temperatura do vapor alcançava 200 graus. Um porta-voz dos bombeiros explicou que pelo menos um dos feridos sofreu parada cardíaca, sem dar maiores informações sobre seu atual estado.
Uma autoridade da Agência para a Segurança Nuclear e Industrial garantiu que não houve escapamento radioativo, explicando que as turbinas funcionam com água que circula por canais completamente independentes dos usados para esfriar os reatores, de 826 mil KW cada um.
O diretor-geral Hiroshi Matsumura da Kepco se apressou em pedir desculpas pelo incidente lamentável afirmando, também, que o vazamento do vapor não causará qualquer dano ao meio ambiente.
O primeiro-ministro Junichiro Koizumi expressou os pêsames às famílias das vítimas. ''Resta agora esclarecer a causa do acidente e aplicar de forma efetiva medidas preventivas e de segurança'', acrescentou.
As 52 centrais nucleares em funcionamento no Japão atualmente respondem por mais de 25% da eletricidade consumida no país, segundo a Agência de Energia Nuclear (AEN), com sede em Paris. Haveria ainda outras quatro instalações deste tipo em construção.
Apesar da desconfiança dos japoneses em relação à energia nuclear, relacionada aos tristes incidentes de Hiroshima e Nagasaki e aos perigos sistemáticos que esta oferece para a população e meio ambiente, o Japão é o terceiro produtor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos e da França, com sede em Paris.
Em 1999, dois empregados morreram em uma unidade de tratamento de urânio em Tokaimura, 120 km ao norte de Tóquio. Devido a um erro humano, mais de 600 pessoas foram expostas à radiação. Este acidente, considerado o mais grave em área de contágio e número de pessoas afetadas desde Chernobil (1986), levou 320 mil moradores a deixarem suas casas.
Em 2002, a Tóquio Electric Power Company, a maior empresa de energia do mundo, admitiu ter sonegado sistematicamente relatórios que mostravam fissuras em seus reatores nucleares. No ano passado, a companhia foi obrigada a desativar 17 deles para inspeção.

mockup