Pelo menos 118 pessoas morreram ontem em um dos acidentes mais graves da história da aviação italiana, quando um avião da companhia escandinava SAS se chocou, no aeroporto de Milão-Linate (norte), com um pequena aeronave particular de turismo. O acidente ocorreu às 6 horas GMT (3 horas de Brasília), em um dos dois aeroportos de Milão, o de Linate, situado no coração da cidade, que no momento estava coberta por uma densa neblina.
Depois do choque com o pequeno avião de turismo, o MD-87 da SAS com 104 passageiros e seis tripulantes bateu contra o hangar em que se guardam equipamentos, provocando um enorme incêndio. Segundo a juíza Celestina Gravina, que investiga o acidente, não se pode dar o número exato de vítimas, pois as equipes de socorro ainda estão trabalhando. Ao meio-dia, 60 corpos haviam sido resgatados, entre eles os quatro passageiros do avião de turismo, um Cessna de uma companhia de aviação privada alemã, informaram fontes do aeroporto de Milão.
Tanto para o responsável pela segurança do aeroporto como para a polícia o acidente foi provocado pela neblina. O ministério do Interior informou que uma ''falha humana'' associada à pouca visibilidade pode ter causado o acidente, e descartou ''qualquer possibilidade'' de que se trate de um atentado terrorista.
Entre as vítimas estão 4 ou 5 funcionários do aeroporto. De 20 a 25 pessoas trabalhavam no momento do acidente no hangar, que ficou completamente destruído, informou o responsável pela empresa que administra o aeroporto, SEA. O hangar fica a 500 metros do ponto de onde os aviões decolam normalmente, precisou a mesma fonte. Alguns empregados que trabalhavam no depósito foram resgatados dos escombros e levados para o hospital mais próximo. Vários deles estão gravemente feridos.
As circunstâncias do acidente ainda não estão completamente esclarecidas, mas segundo uma primeira reconstituição, o avião da SAS estava no final da pista, em fase de decolagem, com os motores em sua máxima potência, quando aparentemente se chocou com o Cessna, o qual não viu em decorrência da neblina. O Cessna, com dois pilotos e dois passageiros, seguiria para Paris. O avião da SAS se dirigia à capital dinamarquesa.
Os helicópteros das equipes de resgate não puderam decolar durante a manhã por causa da neblina. Todas as ambulâncias da região foram mobilizadas e os hospitais foram postos em estado de alerta.
Nos últimos 25 anos vários acidentes foram registrados no aeroporto de Milão-Linate, mas nenhum com mortos. O terminal fica praticamente no meio da cidade e nos últimos dois anos se tornou uma escala ''secundária'', pois foi substituído pelo de Milão-Malpensa, um dos mais modernos da Itália.

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