Acidente com avião da Suíça mata 229
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quinta-feira, 03 de setembro de 1998
Reuters 
As águas revoltas do Atlântico - uma consequência do furacão Bonnie, que passou pela costa leste dos EUA nos últimos dias - dificultam o trabalho de resgate dos corpos das 229 vítimas da queda do MD-11 da companhia suíça Swissair. O avião partira do aeroporto J. F. Kennedy, de Nova York, às 20h17 (22h17 de Brasília) da quarta-feira, com destino a Genebra. Uma hora depois, quando sobrevoava o oceano perto da costa da região canadense de Nova Escócia, o MD-11 desapareceu dos radares. Momentos antes, o piloto enviara uma mensagem de emergência, informando sobre a presença de fumaça na cabine e anunciando que se dirigiria ao aeroporto de Halifax, no Canadá. A queda, porém, ocorreu a centenas de quilômetros do local onde o comandante pretendia pousar.
Ontem, mais de 200 pessoas trabalhavam nas equipes de resgate, coordenadas pelas autoridades canadenses e reforçadas por agentes americanos, mas, até o começo da noite, apenas 36 corpos tinham sido retirados do mar. Técnicos da Boeing, empresa fabricante do MD-11, chegaram a Peggys Cove, cidade mais próxima do lugar da queda, para tentar estabelecer as causas do acidente. A caixa-preta, o instrumento que poderia fornecer dados mais precisos sobre o porquê da queda, era buscada intensamente pelos mergulhadores das equipes de resgate.
Apesar da recente paranóia das autoridades de segurança dos EUA - que temem atentados terroristas para vingar a ofensiva com mísseis de agosto contra supostas bases do terror no Sudão e no Afeganistão -, a hipótese de atentado foi quase totalmente descartada pelos porta-vozes da Casa Branca e pelo FBI, a polícia federal americana.
Na semana passada, Washington acusou o milionário saudita Ossama Bin Laden, considerado um dos maiores promotores do terrorismo islâmico, de planejar ataques contra aviões de passageiros e oferecer recompensa para grupos terroristas que se dispusessem a matar cidadãos americanos.
Até agora, não temos nenhuma informação que indique a ocorrência de um atentado terrorista, disse o porta-voz do governo americano, Mike McCurry, em Belfast, onde acompanhava o presidente Bill Clinton em visita à Irlanda do Norte.
Em Genebra, onde o vôo 111 da Swissair deveria ter chegado às 11h30 (hora de Brasília) de ontem, porta-vozes da companhia aérea divulgaram, em meio à comoção de parentes e amigos das vítimas, a lista dos passageiros mortos. Estavam no avião 136 americanos, 41 suíços, 32 franceses, 6 britânicos, 3 italianos, 3 alemães, 2 gregos, 1 espanhol, 1 iugoslavo, 1 afegão, 1 iraniano, 1 russo e 1 cidadão das Bermudas. Entre os mortos suíços, 13 integravam a tripulação do MD-11. A companhia informou ainda que duas crianças estavam entre os mortos.
Religiosos, psicólogos e assistentes sociais foram chamados ao aeroporto de Genebra para que consolassem os parentes das vítimas. Pelo menos uma dezena de funcionários de várias agências das Nações Unidas, que participariam de encontros na sede da entidade em Genebra, também morreram no acidente. Um desses funcionários era o cientista americano Jonathan Mann, um dos pioneiros da pesquisa da Aids e uma das maiores autoridades do assunto na Organização Mundial de Saúde (OMS).
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça anunciava, em Berna, a convocação de uma reunião extraordinária do conselho para discutir as circunstâncias da queda do MD-11.


