WASHINGTON - Os presidentes dos Estados Unidos, Bill Clinton, e da Rússia, Boris Yeltsin, vão realizar sua próxima cúpula em 20 e 21 de março na Finlândia, convenientemente próximo a Moscou, o que beneficia o adoentado chefe de Estado russo, conforme anúncio divulgado ontem.
Confirmando que a reunião foi transferido dos Estados Unidos, que deveriam sediar o encontro, o vice-presidente americano, Al Gore, e o primeiro-ministro russo, Viktor Chernomyrdin, anunciaram o acordo sobre a data e local e disseram que a cúpula tratará de importantes questões de segurança e economia.
‘‘Isso irá, naturalmente, ser um importante encontro e esperamos entre outras coisas que os presidentes tratem do controle bilateral de armas, da segurança européia e de um número de questões econômicas de importância para nossos povos’’, afirmou Gore numa entrevista conjunta com Chenomyrdin depois de dois dias de conversações.
A menção de Gore à segurança européia foi uma consideração à preocupação da Rússia em relação à expansão da Otan, a aliança ocidental formada durante a Guerra Fria com a agora extinta União Soviética.
A Otan deve anunciar em meados deste ano que está convidando a Polônia, Hungria e a República Checa, todos ex-aliados soviéticos, a se unirem às suas fileiras.
Chernomyrdin tem expressado ansiedade de que tal iniciativa venha a minar o governo de Yeltsin e dar impulso aos ultranacionalistas na Rússia. Mais cedo ontem, o ministro do Exterior russo, Yevgeny Primakov, afirmou em Moscou que caso essas preocupações não sejam levadas em conta, ‘‘sérias mudanças’’ ocorrerão na política externa russa.
Gore e Chernomyrdin têm se reunido a cada seis meses nos últimos quatro anos, na liderança de um grupo de contato em nível de gabinete entre Rússia e Estados Unidos formado para discutir questões tecnológicas.
Mais recentemente, entretanto, o grupo vem se tornando o canal chave da comunicação diplomática entre Moscou e Washington, especialmente desde que problemas cardíacos deixaram Yeltsin cada vez menos disponível a partir do ano passado.
Era a vez de Yeltsin visitar os Estados Unidos, desde que Clinton foi a Moscou para a última cúpula em abril. Mas em deferência à convalescência de Yeltsin, autoridades dos EUA concordaram em transferir o encontro para um local mais próximo da Rússia.

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