Acelerador de partículas inaugura a ''Ciência Pop''
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terça-feira, 30 de março de 2010
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra, Suíça - A era que se abre não é apenas de uma nova física, mas também a da ''Ciência Pop''. Ontem, o maior acelerador de partículas do mundo estabeleceu um novo recorde para colisões de alta energia, chegando a 7 teraelétron volts, dentro de um túnel circular de 27 quilômetros, a 100 metros de profundidade. Durante o maior experimento da física, jornalistas de todo o mundo desembarcaram no interior da França, na fronteira com a Suíça, e tiveram acesso ao vivo a quase tudo o que ocorria nas salas de controle.
A orientação do diretor do Laboratório Europeu de Física Nuclear (CERN), Rolf Heuer, foi a de usar a ocasião para tentar popularizar a ciência. ''Queremos que as pessoas passem a falar de ciência com naturalidade, quase como se falassem de futebol ou outro assunto'', afirmou o diretor de comunicações da entidade, James Gilles.
Ontem, o Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês) conseguiu colidir dois feixes de prótons a uma velocidade três vezes maior que o recorde anterior. O LHC, um projeto de US$ 10 bilhões, realiza as colisões de feixes de prótons como parte de uma ambiciosa experiência que busca revelar detalhes sobre micropartículas e microforças teóricas. A ideia é que esses testes ajudem a lançar luz sobre as origens do universo, além de responder a importantes questões da Física.
E a entidade não economizou tempo e nem recursos para tornar sua invenção popular. Além do circo midiático, o CERN disparou mensagens eletrônicas via SMS e twitter assim que a experiência teve êxito. Os cientistas, nem sempre acostumados às câmeras, receberam treinamento. O CERN ainda designou um cientista de cada país para que explicasse, em sua língua de origem, o que a nova invenção significava para a humanidade. ''Queremos dar um novo oxigênio à ciência'', disse Gilles.
Dois professores de física da Suécia e da Universidade Berkley, nos Estados Unidos, ainda receberam o mandato de traduzir para livros escolares o que a nova descoberta significa para a história da física. ''Nosso objetivo é o de voltar a gerar o interesse de crianças pela ciência. Por isso, escolas não podem mais ensinar apenas o que ocorria há 200 anos. Temos de mostrar a nova ciência'', afirmou o físico sueco, Erik Johanson, um dos encarregados pela cartilha.
Na Europa, diz ele, o déficit de engenheiros já é preocupante.


