Ação na Geórgia é vingança russa
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domingo, 17 de agosto de 2008
Das agências 
O Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur) colocou em 158 mil o número de deslocados causados pelo conflito armado entre Rússia e Geórgia pela região separatista georgiana da Ossétia do Sul. A estimativa da agência se baseia em números fornecidos pelos governos dos dois países.
A cifra inclui 98,6 mil deslocados na Geórgia, 30 mil na Ossétia do Sul e outros 30 mil na Rússia, informou a agência da ONU.
Um comboio do Programa Mundial de Alimentos e do Acnur se dirigia ontem à cidade de Gori (centro da Geórgia) e a mais próxima à Ossétia do Sul, levando ajuda para 1.500 pessoas.
Os confrontos começaram quando a Geórgia, aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, região separatista que declarou independência no começo dos anos 1990. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região.
Ao deflagrar um conflito armado com Tbilisi, Moscou fez uma demonstração de força aos ocidentais e se vingou do revés sofrido no Kosovo, consideraram analistas.
''Foi uma demonstração dirigida a todos os que consideram que a Rússia pode ser ignorada'', comentou Macha Lipman, analista da Fundação Carnegie em Moscou.
Com bombardeios e ataques de blindados para mais além da Ossétia do Sul, a operação russa na Geórgia parece ampla e desproporcional em relação ao argumento oficial de ''proteger cidadãos russos'' (a maioria dos cidadãos ossetas possuem um passaporte russo).
A queda da União Soviética em 1991 abalou o poder da Rússia no cenário internacional. Assolado por uma grave crise econômica, tomado pelas máfias, o país foi traumatizado pela perda de sua autoridade no mundo. A chegada à presidência de Vladimir Putin, hoje primeiro-ministro, em 1999, mudou esta percepção.
Alimentada por seus petrodólares e impulsionada pela ambição deste ex-oficial do KGB, a Rússia voltou a ser uma importante protagonista no cenário internacional, com Putin se aproximando de seu principal objetivo: restaurar o poder perdido da União Soviética.
Porém, Moscou sofreu vários reveses diplomáticos. Um dos últimos e dos mais dolorosos aconteceu em fevereiro deste ano, com a declaração de independência da província sérvia do Kosovo, de maioria albanesa, reconhecida imediatamente por Washington e vários países europeus apesar da ferrenha oposição de Moscou.
Humilhada pelo reconhecimento diplomático do Kosovo e a ampliação da Otan a várias ex-repúblicas soviéticas como Estônia, Letônia e Lituânia, a Rússia quer mostrar ''quem manda em sua casa'', afirmou Alexander Rahr, especialista em Rússia da Sociedade alemã de política externa (DGAP).


