Ação fracassa e exige força terrestre
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segunda-feira, 29 de março de 1999
Reali Júnior 
Os meios militares europeus estão convencidos de que a estratégia militar da Otan caminha aceleradamente para um malogro. Acreditam que só a utilização de tropas terrestres poderá evitar essa evolução negativa, já que a capacidade repressiva Sérvia parece ainda intacta. Ao contrário do que se esperava, a intervenção da Otan está permitindo também o rápido desenvolvimento do processo de limpeza étnica em Kosovo.
Essa é a opinião de respeitados chefes militares europeus, como o general francês Jean Cot, ex-comandante das forças da ONU na Bósnia, e Michael Rose, general britânico, ex-comandante das mesmas forças. Os dois militares temem que essa estratégia leve à perda de credibilidade da Otan.
Nesta segunda-feira, o presidente francês Jacques Chirac voltou à TV para tranquilizar a população ante o crescente pessimismo das últimas horas e após os parcos resultados da operação da Otan. Chirac quis também preparar os franceses para uma campanha militar mais longa do que se imaginava.
Ele responsabiliza o presidente Milosevic e seu regime por assassinatos e massacres nos últimos 10 anos, com a morte de 200 mil pessoas e milhões expulsos de suas casas. Por isso, disse o presidente francês, chegou a hora de os aliados da Otan darem um basta.
Após a fala do presidente as críticas contra as forças da aliança se tornaram ainda mais sérias, como se a ausência de resultados se tornasse cada vez mais evidente. O pior é que as críticas partem, em grande parte, de militares respeitados, como o coronel Jean-Louis Dufour, para quem a ofensiva aérea da Otan já constitui um fracasso.
O general britânico Michael Rose não poderia ter sido mais claro: A Otan enganou-se de estratégia. Com esta, as forças aliadas não têm condições de alterar, destruir ou eliminar as capacidades militares das Forças Armadas iugoslavas. Para evitar o processo de limpeza étnica, segundo o general, seria necessário destruir o armamento pesado das forças de Milosevic, o que não foi feito até agora.
O militar britânico foi mais longe: Entre os discursos dos políticos que pretendem apenas neutralizar Milosevic e os meios militares empregados, totalmente inadequados, constatamos, neste momento, uma confusão total. O resultado, na sua opinião, é que os albaneses do Kosovo estão cada vez mais expostos aos ataques sérvios.
Para o general Philippe Morillon, ex-comandante dos capacetes-azuis na Bósnia, apelidado de General Coragem por sua atuação na região, os sérvios desenvolvem uma campanha de terra arrasada. Ele espera, como última opção para evitar o vexame, que a missão russa dirigida pelo primeiro-ministro Yevgeny Primakov tenha êxito, convencendo Milosevic a aceitar sentar à mesa de negociação.
A impressão dos observadores é que os aliados estão promovendo a reabilitação da diplomacia russa, apostando na esperança de que os russos possam obter um compromisso do presidente iugoslavo.
Em todo caso, seja qual for o resultado final, a Otan vai sair fortemente chamuscada dessa crise pelos erros estratégicos e de análise política cometidos. Ontem, vários porta-vozes da Otan procuravam defender sua estratégia, pedindo aos críticos e à opinião pública mais alguns dias para que a máquina repressiva iugoslava possa ser destruída.


