O maior sequestro maciço da Colômbia teve, ontem, um desfecho incruento quando um grupo paramilitar de extrema direita libertou mais de 200 camponeses. ‘‘Eles queriam nos recrutar. Inclusive um de nós recebeu um uniforme, mas não o aceitou’’, disse à Associated Press Julio César Vaca, de 18 anos, trabalhador agrícola. As Autodefesas Unidas da Colômbia (AUC) ‘‘nos soltaram porque se assustaram quando o Exército veio em nosso encalço’’, acrescentou.
A ação mostra a crescente audácia dos paramilitares de direita, que lutam contra os guerrilheiros esquerdistas pelo controle de territórios e rendimentos proveninentes de plantações ilícitas, e a escalada do conflito interno em que vive a Colômbia há 37 anos.
Entre os 201 reféns havia 200 homens, 50 dos quais menores de idade, e uma menina de 14 anos; eles foram sequestrados na tarde de terça-feira, quando terminavam sua jornada de trabalho em plantações de palmito.
Homens fortemente armados os obrigaram a descer dos ônibus que os transportariam até suas casas em Villanueva, a 130 km a leste de Bogotá, e escolheram os mais jovens entre os trabalhadores.
Foram levados até uma fazenda do outro lado do rio Meta, que atravessa essa região de temperatura amena do altiplano no leste da Colômbia.
Os libertados disseram que entre os paramilitares havia três médicos que os examinaram para avaliar quais eram os mais aptos.
‘‘Nenhuma pessoa continua sequestrada por este grupo’’, disse o comandante da XVI Brigada, general Ramiro Bautista, segundo o qual esta libertação não ocorreu devido à boa vontade dos captores e, sim, por pressão do Exército.
Os reféns foram libertados na quarta-feira à noite e tiveram que empreender longas caminhadas até serem recolhidos por tropas governamentais, que os transportaram em quatro caminhões até Villanueva, no planalto oriental colombiano.
‘‘Eles no ofereceram 150.000 pesos (cerca de US$ 63) por mês se quiséssemos ficar com eles, e em três anos nos deixarima em liberdade’’, disse Hugo, de 17 anos, que pediu que seu sobrenome não fosse citado. -
As Autodefesas Camponesas de Casanare (ACC), que fazem parte das AUC, assumiram a autoria do crime em um comunicado divulgado na quarta-feira à noite.

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