Acaba esperança de encontrar vida no Kursk
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sexta-feira, 18 de agosto de 2000
Associated Press De Moscou 
O presidente russo, Vladimir Putin, saiu ontem em defesa própria e na de seus almirantes pela forma como reagiram à tragédia do submarino Kursk, encalhado desde sábado no fundo do mar de Barents, enquanto ninguém na Rússia acredita mais que os 118 tripulantes ainda estejam vivos.
Começa agora a ganhar força a hipótese de que os marinheiros presos a 108 metros de profundidade morreram já no sábado, depois de o submarino ter supostamente colidido com um objeto e sofrido uma ou mais explosões internas.
Sob pressão da opinião pública, Putin voltou ontem a Moscou, suspendendo suas férias num balneário do mar Negro, que foram muito criticadas pela imprensa.
Graças à melhora progressiva das condições do mar, foram retomadas durante todo dia de ontem as tentativas de se acoplar as pequenas cápsulas de resgate ao submarino, enquanto se espera para hoje a chegada de especialistas britânicos com seu helicóptero submergível. As cápsulas conseguiram chegar ao submarino, mas não conseguiram se acoplar devido ao fato de a escotilha de escape estar fortemente avariada.
O próprio Putin admitiu que os esforços foram todos inúteis, declaração referendada por um jornalista da televisão russa que é o único a assistir no alto-mar as operações de socorro.
O jornalista informou que, na verdade, os desesperados golpes dados por tripulantes na parte interna do navio para pedirem ajuda, que oficialmente não eram mais escutados desde quarta-feira, haviam cessado na segunda-feira, quando a tragédia do submarino foi conhecida pelo público.
Já estando selada a sorte da tripulação do Kursk, que, segundo a agência de notícias Interfax, era formada por 86 oficiais e suboficiais e 31 marinheiros rasos, a atenção voltou-se agora para a polêmica sobre o segredo que envolveu o acidente e as mentiras que o acompanharam.
O próprio presidente Putin foi criticado por seu papel, ou sua ausência, na condução dos esforços de resgate e ontem se defendeu dizendo que meu primeiro impulso ao saber da notícia foi de viajar para Severomorsk (a base do Kursk).
Ele acrescentou que apenas não viajou porque a chegada de estranhos, especialmente de alta hierarquia, ao local de um acidente prejudicaria mais do que ajudaria as operações de resgate.
Putin também tentou defender as autoridades militares, dizendo: Pode-se não estar de acordo, mas pode-se entender o atraso em se anunciar a tragédia, pelo menos até quando eles mesmos não entendiam o que tinha ocorrido.
O presidente negou que tenha rechaçado ajuda estrangeira. Ele justificou que, antes de aceitar a ajuda, nossos especialistas começaram a discuti-la com seus colegas ocidentais.
O comandante da Frota Norte da Rússia, almirante Vyacheslav Popov, disse ontem que o Kursk sofreu uma violenta explosão interna. Mas ele afirmou não estar ainda claro o que causou a explosão, que poderia ter sido provocada pela colisão com um objeto não identificado.
Os familiares dos tripulantes do Kursk acusaram ontem as autoridades russas por sua incapacidade para salvar os homens do submarino afundado no mar de Barents, considerando que as operações de resgate começaram muito atrasadas, diz a TV local. O vice-primeiro-ministro, Ilia Klebanov, e o comandante da marinha russa, almirante Vladimir Kuroyedov, se encontraram sexta-feira com as famílias dos náufragos de Kursk na aldeia militar de Vidiayevo, perto de uma base de submarinos nucleares, a 80 km de Murmansk.
O que você propõe? Um aparelho de salvamento que nunca foi testado?, exclamou uma mulher em lágrimas, interrompendo o discurso de Klebanov. As imagens divulgadas pela TV mostravam várias mulheres transtornadas.
Os parentes dos tripulantes consideraram um erro o fato das autoridades russas rejeitarem ajuda externa e Ktuvo esclareceu que tinha acontecido um acidente.


