A nomeação de novos comandantes militares decidida ontem pelo presidente Valentín Paniagua atenuou a inquietação nas Forças Armadas, cuja alta hierarquia temia uma depuração maior no processo de reestruturação e reinstitucionalização do setor militar.
A decisão política de Paniagua foi tomada no momento em que o país vive uma encarniçada campanha eleitoral para o segundo turno, disputado pelos candidatos presidenciais Alejandro Toledo e Alan García.
O ministro da Defesa, general Walter Ledesma, considerou ontem ‘‘correta’’ a decisão do governo e afirmou que a partir de agora se acentua o processo de normalização das Forças Armadas e da Polícia Nacional, cujos comandos foram severamente questionados por sua vinculação com a rede de corrupção montada pelo foragido ex-assessor Vladimiro Montesinos.
Os militares peruanos apoiaram a formação de uma Comissão da Verdade, proposta há semanas pelo governo, a fim de esclarecer episódios ocorridos durante mais de 15 anos de violência política e subversiva no Peru.
A comissão ficará encarregada de investigar episódios nos quais militares e agentes do governo possam ter cometido delitos e violações aos direitos humanos.
A mais absoluta tranquilidade foi registrada ontem nos quartéis, enquanto no quartel-general do Exército assumia o novo comandante-geral da instituição, general Cacho Vargas, em substituição ao general Carlos Tafur. Como comandantes-gerais da Marinha e da Força Aérea foram designados o almirante Luis Vargas e o major-general Miguel Angel Medina, este último também nomeado como titular do Comando Conjunto das Forças Armadas.

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