Ramallah, Cisjordânia- Mahmud Abbas tornou-se ontem o novo presidente da Autoridade Palestina (ANP), após registrar uma maioria arrasadora na eleição de domingo. Com isto, abre-se uma nova página na história do povo palestino, à espera do reinício de um processo de paz com Israel.
Abbas, 69 anos, obteve 62,32% dos votos, segundo os resultados oficiais anunciados ontem. Por sua vez, o principal adversário de Abbas, Mustafá Barghuthi, somou 19,80% dos votos. Os cinco outros candidatos, em maioria islamitas independentes, não superaram 3% cada um.
O novo presidente da ANP, que substitui o falecido dirigente Yasser Arafat, será investido pelo Parlamento amanhã. Seu mandato, de quatro anos, somente poderá ser renovado uma vez.
Com havia informado Abbas já antes de sua vitória, o primeiro-ministro Ahmed Qorei permanecerá no cargo e será encarregado de formar um novo governo. As eleições legislativas para renovar o Parlamento palestino serão realizadas no dia 17 de julho.
Apesar de a vitória de Abbas já ter sido dada como certa antes da eleição, o novo líder quis ganhar legitimidade e margem de manobra para governar graças a um nível de participação elevado. Porém, os números ainda não foram divulgados.
De acordo com a Comissão Eleitoral Central, 775.146 palestinos da Cisjordânia, de Gaza e do leste de Jerusalém foram às urnas no domingo. Este número representa somente 43% dos 1,8 milhão de palestinos aptos a votar, dos quais 1,2 milhão estavam inscritos nas listas eleitorais.
Abbas, também conhecido como Abu Mazen, é famoso por seu caráter moderado e por sua oposição à luta armada.
O dirigente deseja retomar o diálogo com Israel, mas sem renunciar às principais aspirações de seu povo, como o retorno dos refugiados, a libertação dos presos palestinos em Israel, o fim da ocupação e o sonho de transformar Jerusalém na capital de um futuro Estado palestino.
''Tarefas difíceis nos esperam: criar um Estado independente com Jerusalém como capital, garantir a liberdade para nossos prisioneiros e a dignidade para as pessoas que são perseguidas por Israel'', sentenciou Abbas após sua vitória.
Por sua vez, o líder trabalhista israelense Shimon Peres, que será o número dois do primeiro-ministro Ariel Sharon no novo governo de união nacional de Israel, considerou que com a eleição de Abbas se abria ''um novo processo''.
''Abbas é um parceiro intransigente, mas também um homem inteligente, moderado e experiente. Ele foi eleito por grande maioria dos palestinos e devemos lhe dar a oportunidade de triunfar'', frisou Peres, que ligou pessoalmente a Abu Mazen para congratulá-lo por sua vitória.
Em uma declaração oficial, Sharon recordou que a prioridade era que as novas autoridades palestinas tomassem ''decisões importantes contra o terrorismo''.
Apesar de ter sido eleito sem o menor apoio dos movimentos islâmicos radicais, como o Hamas e a Jihad Islâmica, que boicotaram a eleição de domingo, Abbas recebeu ontem a boa notícia de que poderá contar com a cooperação destes grupos.
No entanto, os dirigentes do Hamas insistiram no seu direito de se opor em armas à ocupação israelense, apesar de o novo presidente da ANP ter pedido uma Intifada sem armas.(F.P.)

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