Egito - Os líderes palestino, Mahmud Abbas, e israelense, Ariel Sharon, proclamaram solenemente ontem o fim de quatro anos de violência ao final de uma reunião de cúpula no Egito, que fez gerar uma frágil expectativa de paz na região.
O primeiro encontro deste nível desde 2000 foi realizado no balneário egípcio de Sharm-el-Sheikh, dando também um impulso às relações de Israel com Egito e Jordânia. Ficou decidido que estes dois países vão reenviar a Tel Aviv seus embaixadores, chamados de volta quando explodiu a segunda Intifada, a revolta palestina, em setembro de 2000.
Na prática, o anúncio do acordo israelense-palestino que põe fim aos atos de violência significa o fim da sublevação palestina e das operações do exército israelense na Cisjordânia e na Faixa de Gaza. ''Fizemos um acordo com o primeiro-ministro israelense Ariel Sharon para pôr um ponto final à violência contra israelenses e palestinos onde quer que estejam'', disse Abbas em discurso pronunciado ao lado de Sharon, do presidente egípcio Hosni Mubarak e do rei Abdulah II da Jordânia.
''A calma a ser experimentada por nossos territórios a partir deste dia significa o princípio de uma nova era, um começo para a paz e a esperança'', acrescentou o presidente da Autoridade Palestina. ''O que anunciamos hoje é a aplicação, na prática, da primeira cláusula do Road Map, o Mapa da Paz (...), e que representa uma etapa essencial em termos de oportunidade para pôr no bom caminho novamente o processo de paz, devolvendo aos dois povos esperança e confiança na possibilidade de alcançar a paz'', afirmou.
Sharon, em sua primeira visita oficial ao Egito, destacou que seu país ''suspenderá as operações militares contra os palestinos em todas as partes, libertando centenas de prisioneiros''. ''Esperamos que a partir de hoje (ontem) comece uma nova era de calma e esperança'', pelo ''queremos um diálogo sincero e real'', afirmou Sharon, insistindo em que está decidido a ''aplicar o plano de retirada da Faixa de Gaza'' prevista para o próximo verão boreal.
Segundo ele, esta retirada ''pode abrir o caminho para a aplicação do Road Map'', o plano internacional que prevê a criação de um Estado palestino independente, ainda em 2005. Na opinião dos analistas, convém reagir com cautela e situar estas entusiastas declarações dentro de um contexto político complexo, já que os dois líderes se esquivaram de temas mais espinhosos, além do que, nos últimos anos, as esperanças vêm desembocando sempre em decepções.
O movimento radical islâmico palestino Hamas reagiu de pronto, pela boca de seu porta-voz Muchir al-Masri, indicando que o anúncio do fim dos atos violentos compromete apenas a Autoridade Palestina porque ''não expressa a posição dos movimentos palestinos''.
Antes da abertura da reunião, Abbas e Sharon mantiveram uma breve conversa, a primeira desde a eleição do líder palestino no dia 9 de janeiro à frente da Autoridade Palestina, depois da morte, em novembro, de Yasser Arafat. Depois da conferência, o porta-voz de Sharon, Raanan Gisin, afirmou que o primeiro-ministro convidou Abas a seu rancho e não descarta uma próxima reunião entre os dois, na Cisjordânia.

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