Abbas assume presidência da ANP em meio a tensão
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domingo, 16 de janeiro de 2005
Das Agências 
Ramallah - Mahmoud Abbas, 69 anos, assumiu ontem a presidência da Autoridade Nacional Palestina (ANP) defendendo um diálogo com os israelenses em um momento de tensão no Oriente Médio, depois que Israel anunciou o rompimento das relações com o governo palestino em meio ao acirramento da violência na região.
O novo presidente da ANP disse ontem, em Ramallah (Cisjordânia), que está estendendo sua mão pela paz com Israel, mas não fez menção específica sobre como vai lidar com os grupos extremistas palestinos, um dos maiores desafios do governo de Abbas.
Durante discurso de posse, Abbas se posicionou contrariamente a ações violentas de militantes palestinos e do Exército israelense. Nós condenamos essas ações, sejam elas das forças de ocupação israelense ou de reação de algumas facções palestinas, afirmou.
O governo de Ariel Sharon, que suspendeu também uma reunião com o recém-eleito presidente da ANP, acusa os palestinos de não agir contra os grupos terroristas.
O anúncio do cancelamento do encontro foi feito sexta-feira, um dia depois de um atentado ter causado a morte de seis israelenses em Gaza. Três grupos extremistas palestinos reivindicaram o ataque: Hamas, Frente de Resistência Palestina e Brigadas de Brigadas de Al Aqsa, facção ligada ao Fatah, partido do presidente da ANP.
A posição israelense foi aparentemente apoiada pelo governo dos Estados Unidos. Em entrevista à Rádio América, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, defendeu uma ação mais enérgica de Abbas contra os militantes islâmicos. Ele tem que manter estes terroristas sob controle, declarou Powell.
Abbas prestou juramento no Parlamento palestino e dedicou sua vitória ao líder Yasser Arafat, morto em 11 de novembro de 2004, após 14 dias de internação na França. Até hoje a causa da morte de Arafat não foi divulgada.
A guerra continua - Seis palestinos morreram e cerca de dez ficaram feridos ontem devido a disparos do exército israelense nas cidades de Gaza e Rafah, na Faixa de Gaza, de acordo com fontes médicas palestinas.
Segundo testemunhas, dez veículos blindados israelenses entraram ontem pela manhã no bairro de Zeitun depois do disparo de obuses contra colônias israelenses. Esses ataques foram reivindicados pelo Movimento de Resistência Islâmica Palestino (Hamas).
Um dirigente do Hamas, rechaçou a possibilidade de um cessar-fogo enquanto Israel não pôr fim às suas agressões. A declaração foi dada pouco depois da investidura de Mahmud Abas como presidente da Autoridade Palestina.


