Gleneagles (Grã-Bretanha) - Surpreendidos pelos atentados mortíferos de Londres no momento em que era aberta sua reunião de cúpula em Gleneagles, na Escócia, os dirigentes das oito grandes potências mundiais (G-8) reafirmaram ontem a determinação de não ceder aos terroristas, e dar prosseguimento à conferência.
Presidente em exercício do G-8, o premiê britânico Tony Blair anunciou a decisão em breve declaração. Blair mostrou-se abalado pelo drama, que aconteceu quando os ingleses estavam festejando a vitória de Londres como sede das Olimpíadas de 2012.
Seus colegas do G-8 (Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Alemanha, Itália, Canadá, Japão e Rússia) esqueceram por um tempo suas divergências e apoiaram sem reservas o primeiro-ministro britânico. ''Não se trata de um ataque contra uma nação, mas de um ataque contra todas as nações, e contra o mundo civilizado'', afirmaram em uma declaração comum.
Blair leu esta declaração acompanhado por seus colegas do G-8 e dos dirigentes de cinco países emergentes convidados à conferência de Gleneagles, entre eles o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Não permitiremos que a violência modifique nossas sociedades e nossos valores, e os trabalhos desta cúpula vão continuar. Daremos prosseguimento às nossas deliberações, para um mundo melhor'', insistiram os líderes do G-8 no comunicado conjunto.
Tony Blair deixou em seguida o luxuoso hotel de Gleneagles para voltar a Londres. O premiê britânico, que não deixou de destacar a coincidência entre os atentados e a reunião de cúpula, devia retornar à Escócia ainda ontem.
''A guerra contra o terrorismo continua'', sentenciou em Gleneagles o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. ''De um lado, temos pessoas, aqui, que trabalham para reduzir a pobreza, livrar o mundo da pandemia da Aids e proteger o meio ambiente, e do outro, temos indivíduos que matam inocentes'', frisou.
''O contraste não pode ser mais claro entre as intenções e o coração dos que defendem os direitos humanos e a liberdade e os que matam porque seu coração é tomado pelo mal'', discursou Bush.
Os atentados ''desumanos'' de Londres ''exigem uma condenação sem reservas e a reunificação de todos os países civilizados para lutar contra o terrorismo internacional'', declarou por sua vez o presidente da Rússia, Vladimir Putin. ''Estes atos são inqualificáveis. Estes desprezo com a vida humana é algo que deve ser combatido com uma firmeza sempre maior e mais solidária entre as grandes nações do mundo'', acrescentou o presidente da França, Jacuqes Chirac.
O anúncio dos atentados pegou os dirigentes de surpresa, antes do início de sua primeira reunião de trabalho, contaram diplomatas. ''No início, as notícias não eram claras. Niguém sabia se se tratava de um acidente ou de um atentado. Mas quando as televisões mostraram as imagens do ônibus devastado, todos entenderam o que havia acontecido'', ressaltaram.
De fato, progressos são quase certos sobre os dois temas principais da conferência, a ajuda à África e a luta contra o aquecimento global. Sobre este último assunto, as grandes linhas de uma declaração do G-8 e de um plano de ação sobre a mudança climática foram aprovadas ontem, informou Bernd Pfaffenbach, conselheiro do chanceler alemão Gerhard Schroeder.
Estes documentos contêm ''medidas passíveis de levar a uma diminuição das emissões de gases causadores de efeito-estufa'', afirmou Pfaffenbach. Eles devem ser publicados hoje, último dia da reunião de cúpula.

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