A verdade, sem censura
A verdade, sem censura
A nota oficial do presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Paraná, publicada domingo, confirma, em cada um de seus parágrafos, o que denunciei no programa do PMDB, dia 6 de outubro.
Vejam:
1º parágrafo. A nota diz que me queixo do silêncio da imprensa, quando critico meus adversários. Mas que adversários critiquei no programa do PMDB? Todos se lembram. Denunciei o generoso favorecimento do governo do Estado às montadoras multinacionais; a venda, a preço de fim de feira, da Ferroeste; a alienação da Copel, para abrir buracos de caixa; a situação periclitante do Banestado; o rombo e o roubo na Banestado Leasing; a compra de títulos podres de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina; gastos de 100 milhões de dólares em propaganda, no ano passado; e a queima de outros 50 milhões nos tais Jogos da Natureza; a quebra de 1.666 empresas paranaenses, por falta de apoio; que a folha de pagamento consome 96% da arrecadação; que o Banco Central rejeita aval a empréstimos externos do Paraná porque o governador não presta contas do que gasta; que centenas de milhões de dólares de empréstimos externos não estão sendo usados porque o Governo do Paraná não comparece com sua devida contrapartida, pagando por isso pesadas multas; que os empresários paranaenses não estão recebendo as mesmas isenções concedidas às multinacionais, e que, além disso, estão sendo pesadamente arrochados pelo fisco; que o desemprego e a insegurança ultrapassam o limite do suportável; que este Governo administra em favor das elites e pune o povo.
Seriam esses os adversários a que se referiu o presidente do Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais? Não? Por que, então, ele sente-se machucado com as minhas denúncias? Melhor ainda: por que ele não dá espaço a tantas e tão graves questões?
2º parágrafo. A nota diz que recebi da mídia ampla cobertura às atividades da CPI dos Precatórios. De fato. Mas com esta ressalva: a cobertura foi da mídia nacional, inevitavelmente repercutida pela mídia local, porque a CPI era o assunto do momento. Contudo, quando me referia aos assuntos paranaenses (os tais adversários do parágrafo anterior), a mídia local não dava (e não dá) espaço às minhas denúncias. Como fica testemunhado, o próprio presidente do Sindicato reconhece, com todas as letras, que minhas graves advertências sobre a crise administrativa e econômico-financeira do Estado foram censuradas. Davam acolhida apenas à CPI dos Precatórios.
3º parágrafo. É irônico que, hoje, o presidente do Sindicato venha a falar, de boca cheia, de liberdade de imprensa. Por que não mostrou a mesma bravura, nos tempos da Ditadura Militar? Que espaço reservou à tenaz e ousada resistência do velho MDB, de que eu fazia parte, na luta contra o arbítrio? Onde estava, com quem estava, no dia 1º de abril de 1964? E no dia 13 de dezembro de 1968? Que versões acolheu a manchete ou às mortes de centenas de brasileiros assassinados pela Ditadura? Em que arena militava à essa época? Que liberdade de expressão é essa? A liberdade de exprimir apenas o que dizem aqueles que estão no poder? Por que não exibiu ontem a mesma coragem que arreganha hoje?
4º parágrafo. Aqui, confirmando as interrogações acima, o presidente do Sindicato posiciona-se com toda clareza. Ousa dizer que as minhas denúncias contra os desmandos do Banestado, na Leasing, na Corretora de Seguros prejudicam o Paraná. Que lógica é essa? Diante dos desvios comprovados, da corrupção flagrada e atestada, devo calar a boca? Ele confessa a convivência com os escândalos e quer que o Senador do Paraná também fique quieto. Mais ainda: argumenta que fica em silêncio em nome dos interesses da maioria da população. Quer dizer, então, que é do interesse dos paranaenses a quebra do Banestado, os contratos secretos e suspeitas com as montadoras, a venda da Copel, o roubo na Leasing, o arrocho sobre o nosso empresariado? É do interesse da maioria da população gastar 100 milhões de reais em propaganda e 80 milhões nos tais Jogos da Natureza? É do nosso interesse o desemprego, a terrível situação da segurança pública? Tudo isso, silenciar sobre isso, é do interesse dos paranaenses? Que os paranaenses respondam.
5º parágrafo. Por fim, concluindo a nota oficial, o Sr. presidente do Sindicato repete-se, pontificando sobre a liberdade de imprensa, compromissos sociais do jornalismo e quetais. Que tal fosse assim, de fato? Que tal ele, tão cioso, repentinamente, de sua função, cumprisse o seu papel, dando às graves denúncias espaços, estabelecendo o contraditório, ouvindo as partes, promovendo um saudável debate sobre a preocupante realidade paranaense para publicar a VERDADE.
Peça-me tudo, Sr. presidente do Sindicato. Menos uma coisa: o meu silêncio, minha conivência, a traição aos paranaenses. Peçam-me tudo, menos o impossível: a solidariedade com os corruptos e opressores.
E mais não tenho a dizer. Que o diga a opinião pública. Sem censura, com irrestrita liberdade de manifestação.
ROBERTO REQUIÃO, Senador do Paraná





