A primeira missa de Bento XVI
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domingo, 24 de abril de 2005
Rodrigo Werneck<br> Folhapress 
Cidade do Vaticano- O alemão Joseph Ratzinger, 78 anos, celebrou na manhã de ontem, no Vaticano, a missa inaugural de seu pontificado, e pediu, em sua homilia, a ''cristãos e não-cristãos igualmente'' que o ajudem em sua ''imensa tarefa, que verdadeiramente excede a capacidade humana''.
Segundo a Prefeitura de Roma, pelo menos 500 mil pessoas acompanharam a liturgia na praça São Pedro e arredores.
A primeira missa pública de Ratzinger teve duas horas e quarenta minutos de duração. No final, por volta das 13 horas (8 horas de Brasília), o sumo pontífice desfilou em carro aberto no meio da multidão, hipótese já antecipada pela Santa Sé. O veículo circulou por cerca de dez minutos em corredores protegidos por grades, o que impedia qualquer pessoa de chegar a menos de dois metros do papa.
Desde o início, Bento XVI foi aplaudido seguidamente pelos fiéis e peregrinos que entoavam seu nome entre palmas ritmadas, como uma torcida organizada. Foram conduzidas ao altar duas bíblias, uma em grego e outra em latim, simbolizando a união entre as igrejas oriental e ocidental.
O momento de maior comoção do público, porém, aconteceu na entrega a Ratzinger do pálio um manto de lã de carneiro para lembrar sua função pastoral e do Anel do Pescador, que simboliza o poder do papa e traz uma imagem de São Pedro, que era pescador, num barco.
HomiliaEntregue previamente aos jornalistas, o texto da homilia de Ratzinger revela a intenção do sumo pontífice de se livrar da imagem de intransigente adquirida como cardeal. Na primeira metade do sermão, Bento XVI disse que vai guiar o catolicismo sem impor suas idéias.
''O meu verdadeiro plano de governo é não fazer a minha vontade, não perseguir as minhas idéias, mas me manter à escuta, junto de toda a Igreja, da palavra e da vontade do Senhor e deixar-me guiar por Ele'', afirmou.
Ratzinger lançou também sinais de abertura e tolerância religiosa. Em um mesmo trecho, fez uma saudação nominal aos judeus e aos católicos batizados que não estão em ''plena comunhão conosco'', além de reiterar que sua mensagem destina-se a todos, fiéis ou não.
''Saúdo vocês, fiéis laicos, imersos no grande espaço da construção do reino de Deus que se expande no mundo, em cada expressão de vida. O discurso se faz cheio de afeto também na saudação que faço a todos que, unidos no sacramento do batismo, não estão ainda em plena comunhão conosco; e a vocês irmãos do povo hebraico, que nos deixaram um grande legado espiritual. O meu pensamento, enfim quase como uma onda que se expande vai para todos os homens do nosso tempo, fiéis e não fiéis.''
O sumo pontífice fez ainda repetidas menções aos jovens, colocando em prática sua disposição de dialogar com os católicos ainda em formação, um trabalho iniciado por seu antecessor, João Paulo II.
Lembrando palavras de Karol Wojtyla em sua missa de início de pontificado, em 1978, Bento XVI encerrou a homilia dizendo que a juventude não deve temer Cristo. ''Não tenham medo de Cristo. Ele não lhes tira nada, e doa tudo'', pregou. Ratzinger já confirmou que participará da próxima Jornada Mundial da Juventude, prevista para agosto na cidade de Colônia (Alemanha).
A jovem italiana Elisa, 13 anos, que acompanhava a missa na praça de São Pedro, gostou das palavras de Bento 16. Para ela, o papa fala ''fácil'' e consegue se comunicar com os jovens. ''Entendi tudo o que ele (Ratzinger) disse. Às vezes, eu ia embora da igreja sem entender o que o padre dizia. Mas este papa é simples, não fala difícil. Entendi o recado dele'', acrescentou.


