A pior catástrofe da Air France
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segunda-feira, 01 de junho de 2009
Andrei Netto<br> Agência Estado 
Paris - O voo 447 (Rio-Paris) da Air France saiu do Aeroporto do Galeão, na capital fluminense, às 19h30 de domingo e seguia desaparecido até pelo menos as 20 horas de ontem. As autoridades já tratavam o caso como catástrofe aérea, a pior da história da Air France e a primeira com um modelo Airbus A330. Trata-se ainda do primeiro acidente grave nesta rota, considerada segura, em mais de sete décadas.
Os 228 passageiros e tripulantes - incluindo 58 brasileiros - têm escassas perspectivas de serem localizados, nas palavras do presidente francês, Nicolas Sarkozy. As buscas, entretanto, serão intensificadas hoje em uma zona identificada com uma margem de erro de algumas dezenas de milhas náuticas, perto da metade do caminho entre Natal, no Brasil, e Dacar, no Senegal.
Os passageiros e tripulantes compõem um mosaico de 32 nacionalidades, incluindo 61 franceses, 26 alemães, 9 italianos, 6 suíços, 5 britânicos e 5 libaneses. O grande número de nacionalidades causou confusão à tarde, em especial porque mais de uma dezena de passageiros tem dupla cidadania. Em Paris, a notícia do desaparecimento do Airbus foi divulgada no fim da manhã. Até o início da tarde, os painéis do Aeroporto Internacional de Roissy-Charles de Gaulle apontavam o voo AF 447 como em atraso.
De acordo com informações oficiais, divulgadas pelo diretor-presidente da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, até as 3h33 (22h33 no Brasil) não havia anomalias no voo. Naquele momento, o avião estava a 565 km de Natal, no Brasil, e voava a 840km/h e a uma altitude de 11 mil metros. A última mensagem foi habitual. O controle aéreo brasileiro foi informado de que o avião deixava o espaço aéreo brasileiro. Nesse momento, estava em velocidade de cruzeiro, explicou o executivo. Na sequencia, o Airbus viajaria cerca de 2h30 em uma região sem controle de radares, sobre o Oceano Atlântico, até ingressar no espaço aéreo do Senegal.
Às 4h13 (23h13 de Brasília), contudo, o sistema automático do avião passou a enviar, por ondas de rádio, uma dezena de mensagens nas quais acusava a pane de vários objetos elétricos da aeronave. O envio dos sinais se estendeu por 4 minutos, até que o sinal foi perdido. Essas mensagens técnicas assinalaram uma série de situações imprevistas a bordo da aeronave. Depois delas, não houve mais trocas. É provável que pouco após essas mensagens tenha se produzido o impacto no Atlântico, informou Gourgeon.
Segundo a companhia aérea, o avião enfrentava uma área de instabilidade, marcada por forte turbulência e tempestades elétricas. Não é possível estipular até aqui se houve um vínculo entre as condições meteorológicas adversas e o acidente, reforçou o executivo. Não houve novas comunicações da tripulação, que era bastante experiente. O comandante possuía 11 mil horas de voo, incluindo 700 em aeronaves do mesmo modelo do Airbus desaparecido.


