À noite, ex-ditador recebe alta O ex-ditador chileno Augusto Pinochet abandonou ontem o Hospital Militar de Santiago, onde permaneceu apenas oito horas para ser submetido a exames médicos após seu regresso de Londres. Segundo fontes locais, ele voltará à sua residência em Santiago. Pinochet partiu em uma caravana de automóveis e caminhonetes, entre eles três veículos Mercedes Benz com vidro fumê. O ex-ditador viajava, segundo as fontes, no segundo veículo da comitiva, com as cortinas corridas e em meio a uma rigorosa operação de segurança coordenada pelo grupo especial Cobra. Pinochet foi visitado no hospital, ontem à tarde, por diversos familiares e pelo comandante em chefe do exército, general Ricardo Izurieta. O ex-presidente de fato passaria a noite em sua residência no bairro La Dehesa, em Lo Barnechea, na zona leste de Santiago. Uma multidão de aproximadamente 5 mil pinochetistas concentrou-se ontem na frente do Hospital Militar de Santiago para dar as boas-vindas ao ex-ditador. Usando camisetas, faixas de cabeça e bonés, os manifestantes gritavam, em uníssono, insultos dirigidos ao juiz de instrução espanhol Baltasar Garzón palavras de apoio a ‘‘El General’’ ou ‘‘Pinocho’’. Eufóricos e exaltados, os pinochetistas gritavam, olhando para o último dos cinco andares do edifício, pedindo para que o ex-ditador saísse à janela. Não muito longe dali – a apenas dez estações do limpo e eficiente metrô de Santiago –, manifestantes de movimentos de esquerda se concentravam na frente do Palácio La Moneda. O ato público dos adversários de Pinochet, porém, era bem menor e muito menos ruidoso. A maioria vestia preto, em sinal de luto. Aproveitando-se de um descuido dos carabineros, um grupo de ativistas passou a conversar perto do mastro de uma das várias bandeiras chilenas que tremulam na frente do palácio - em reforma para a cerimônia de posse do presidente eleito, Ricardo Lagos. Um deles conseguiu desamarrar o cordel e baixar a bandeira a meio-pau. (das agências)