A morte de Benazir Bhutto é lembrada com homenagens
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sábado, 27 de dezembro de 2008
France Presse 
Karachi - Dezenas de milhares de paquistaneses se reuniram ontem diante do túmulo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, um dia antes das cerimônia pelo primeiro aniversário de sua morte em um atentado. Mais de 35.000 pessoas estão na cidade de Garhi Juda Bajsh para as cerimônias de hoje no mausoléu da família Bhutto, informou à AFP Ijaz Durrani, porta-voz do Partido do Povo Paquistanês (PPP). Mas a expectativa é de que o número de pessoas ultrapasse a barreira de 100 mil.
Bhutto, 54 anos, morreu em 27 de dezembro de 2007 em um atentado na cidade de Rawalpindi, dois meses depois de retornar do exílio. O presidente paquistanês Asif Ali Zardari, viúvo de Benazir Bhutto, e seu filho Bilawal Bhutto Zardari, que comandam atualmente o PPP, estarão, hoje, à frente do cortejo. Mais de 8 mil policiais, paramilitares, membros do PPP e voluntários ficarão responsáveis pela segurança na cidade.
O governo paquistanês declarou sábado um dia em homenagem a Bhutto, a primeira mulher muçulmana a comandar um país islâmico. Um ano depois da morte de Benazir, o Paquistão conseguiu relaxar o controle militar, mas continua mergulhado na crise e confrontado com um crescente descontentamento popular.
O PPP, de Asif Ali Zardari, chegou ao poder com um forte apoio popular, reforçado pelo afastamento do general e presidente Pervez Musharraf depois de nove anos no poder. Mas Zardari e sua equipe decepcionaram profundamente os que esperavam o cumprimento das promessas feitas por Benazir durante a campanha eleitoral. ''Ao que parece, eles perderam parte da simpatia popular porque seu governo não foi capaz de resolver os problemas que mais afetam os paquistaneses'', explicou à AFP o analista político Hasan Askari.
A paralisia política engendrada pela rivalidade entre o PPP e a Liga Muçulmana do Paquistão-Nawaz (PML-N, de seu ex-adversário Nawaz Sharif, aliado na coalizão contra Musharraf), uma economia deprimida, a carência de eletricidade, a rebelião nas zonas tribais, os ataques extremistas e a tensão com Índia, seu vizinho, são os principais problemas do Paquistão.
O desencanto é visível nas pesquisas. No total, 90% dos paquistaneses acham que o governo está levando o país por um mau caminho e apenas 19% aprovam a gestão de Zardari, segundo uma recente pesquisa do Instituto Internacional Republicano (IRI, grupo de estudos americanos).


