A fisioterapeuta Roberta Romaniolo de Mattos, 27 anos, mal conheceu o pai. Ela conviveu com Wânio de Mattos no Chile por pouco tempo. Tinha apenas dois anos quando ele foi morto naquele país, mas tem orgulho de afirmar que o pai lutou por um ideal de justiça e liberdade, contra a ditadura militar no Brasil. ‘‘Se você luta e acredita numa causa, vale a pena’’, afirma.
Roberta só soube das circunstâncias da morte de Wânio aos nove anos. ‘‘Eu tinha medo de falar. Queria protegê-la’’, revela a mãe, Maria das Dores. Até então, a garota sabia da versão de que um acidente havia tirou a vida dele. ‘‘Na adolescência, cheguei a pensar que meu pai tinha morrido à toa porque nada mudou. As desigualdades sociais continuam gritantes. Mas hoje acho que a luta de uma pessoa faz diferença, sim’’.
A fisioterapeuta espera agora que se faça Justiça às vítimas do regime de Pinochet. ‘‘Para quem se considera Deus, ser julgado pelos mortais deve ser muito difícil. Quero que a Justiça seja feita não só pelo meu pai, mas por todos que sofreram. Se não houver condenação, só a humilhação de se deslocar a um tribunal já vai dar um conforto moral às famílias’’.
Roberta e a mãe lutam agora por uma indenização do governo brasileiro. A lei que indenizou mortos e desaparecidos políticos do Brasil durante o regime militar não beneficiou brasileiros que morreram fora do País. O Chile já reconheceu a morte de Wânio e dos outros quatro brasileiros. A viúva recebe uma pensão equivalente a R$ 265,00 do governo daquele país. Ela e a filha entendem que o governo tem de reconhecer a morte dos brasileiros no Chile e colaborar na transferência de seus restos mortais. ‘‘Queria poder levar umas flores para ele’’, sonha Maria das Dores. (P.Z)

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