A disputa na Casa Branca e a internet
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sábado, 28 de julho de 2007
Pedro Doria<br> Agência Estado 
São Paulo - Na noite de segunda-feira, oito pré-candidatos à presidência dos EUA pelo Partido Democrata se encontraram num debate televisionado pela CNN. Foram assistidos ao vivo por 2,6 milhões de espectadores, a segunda maior audiência de encontros do tipo nesta campanha. Destes, 407 mil tinham entre 18 e 34 anos. A marca é histórica: trata-se da maior audiência nessa faixa etária dos embates presidenciais na TV a cabo.
O YouTube fez a diferença na participação de jovens. As perguntas que chegaram ao site de vídeos foram filmadas em casa por usuários da internet, na maioria jovens, e enviadas para o site de vídeos. Não houve perguntas de jornalistas no debate. Das mais de 3 mil perguntas recebidas, a equipe da CNN selecionou 39, que foram ao ar. Entre elas, um casal de lésbicas perguntava por que não podia casar, uma paciente de câncer cobrava um sistema universal de saúde pública, sem o qual teria menos tempo de vida, e um boneco de neve animado falava sobre aquecimento global.
A internet entrou nas disputas presidenciais há quatro anos, na campanha de Howard Dean, um dos pretendentes à candidatura democrata. A inovação veio por intermédio de John Trippi, o consultor contratado para chefiar a campanha. Trippi pôs no ar um blog para Dean, estabeleceu uma rede social, espécie de micro Orkut, na qual partidários de uma mesma região podiam se conhecer e se organizar e, principalmente, publicou um sistema de microdoações. Qualquer eleitor poderia doar quanto quisesse, US$ 5 que fosse, para uma candidatura. Nunca se arrecadou tanto.
Mais doações A diferença que a internet está fazendo pode ser medida em números. Historicamente, são os grandes doadores, magnatas dos vários setores, de Hollywood à indústria automobilística, que sustentam o jogo. Candidatos estabelecidos e com contatos na elite - como o casal Clinton - saem-se melhor e têm mais recursos.
Durante o debate de segunda-feira, Chris Dodd, senador e pré-candidato, acusou os líderes nas pesquisas - Hillary Clinton, Barack Obama e John Edwards - de serem financiados por essa elite. Desta vez, não é de todo verdade. Em conjunto, os democratas arrecadaram US$ 300 milhões para suas candidaturas. Desse total, 16% vieram de doações feitas seguindo o modelo criado por Howard Dean: pequenas quantias oferecidas por muita gente, via internet.
Engajamento de jovens Mas a internet não tem servido apenas como fonte de arrecadação. Após o debate de segunda-feira, entre blogs e grupos de discussão e mesmo por meio de novos vídeos veiculados pelo YouTube, partidários e críticos engajaram-se na discussão. É a mobilização do público jovem, novamente, que está sendo focalizada pelos consultores de campanha.
A audiência jovem é importante para o Partido Democrata, pois nesta faixa está a maior concentração de seus eleitores. Por outro lado, apontam as estatísticas, quem tem menos de 35 anos se interessa pouco por política e vai menos às urnas. Nos EUA, o voto não é obrigatório. Foi Bill Clinton, em 1992, que conseguiu mobilizar o eleitorado jovem pela última vez.
Clinton pegou o auge da TV a cabo. Há 15 anos, na MTV, canal de jovens, o então governador do Arkansas tocou saxofone e sentou-se informalmente no meio de um público de 20 e poucos anos para responder a perguntas como: ''O senhor usa cueca tipo sunga ou samba-canção?'' Ele riu e não titubeou: ''Tipo sunga.''
Para aquela juventude - que foi em números recordes às urnas - o tipo de cueca, o sentar-se informalmente e o tocar saxofone estavam a favor de Clinton. Ele parecia um político diferente, e, aos 43 anos, representava de fato uma nova geração chegando à política nacional. Saíam os veteranos da 2. Guerra para a entrada de quem protestou contra o Vietnã.
Não há uma mudança geracional no comando, agora, mas se a internet de fato influir nesta eleição, os pré-candidatos do Partido Republicano têm um problema. A CNN marcou um debate nos mesmos moldes para 17 de setembro. Apenas dois, o senador John McCain e o deputado federal Ron Paul, confirmaram presença.


