Aninhando-se como um bando de filhotes adormecidos, um grupo de meninos cambo janos movimenta-se com o nascer do dia em Phnom Penh.
Seu local de descanso durante a noite tem sido um pedaço de concreto vago do lado de fora de uma loja de ferramentas. Como muitas crianças da capital do Camboja, seus pais morreram há muito tempo, perdidos para a doença, para a guerra civil ou na luta para ganhar a vida.
Crianças abandonadas unem-se para procurar, nas empoeiradas ruas da cidade, qualquer coisa que possa dar algum dinheiro.
Oculta em sacos plásticos, a cola que elas inalam amortece todos os sentidos. Para muitas dessas crianças, a esperança de uma vida melhor é inimaginável.
Centenas de quilômetros de distância, na Indonésia, Tania dedilha um violão de brinquedo do lado de fora do impressionante prédio de vidro e ferro do Deutsche Bank, no centro de Jacarta. Quando o tráfego diminui, ela e outras crianças, ainda mais jovens do que ele, correm rapidamente através do labirinto de ônibus e automóveis em busca de esmolas.
A vida em Jacarta e na maioria das cidades da Indonésia tem sido atingida ultimamente por problemas econômicos e turbulência social. Os primeiros a sofrer os efeitos do desemprego e da desvalorização da moeda são os pobres. Katin Kethsamrau, uma tailandesa de 11 anos, viu quando sua mãe, infectada pelos vírus da aids, enforcou-se recentemente na maior favela de Bangcoc, Klong Toey.
Katin também é soropositiva. As poucas alegrias que ela tem na vida divide com sua amiga Angsana Suyata, que, como ela, tem 11 anos, é HIV positiva e órfã.
As duas meninas, com as cabeças raspadas por causa dos piolhos, passam o tempo brincando com outros órfãos também soropositivos da Fundação para o Desenvolvimento Humanos em Bangcoc.
Fundada por um padre católico, o reverendo Joseph H. Maier, há 25 anos, a fundação é um dos poucos pontos de luz num quadro escuro. Os cuidados recebidos por Katin e Angsana são gratuitos, ainda que seja certo que seu futuro não o seja.
As leis e costumes do sudeste da Ásia são tão diversos quanto as próprias regiões quando se referem às crianças. O que já foi uma sociedade eminentemente agrícola de pequenas vilas e fortes unidades familiares ligadas à terra, deu lugar a vastas acumulações urbanas.
O boom econômico dos anos 80 e início dos 90 viu uma industrialização rápida e o nascimento, e a morte, do que muitos chamaram dos ‘‘Tigres Asiáticos’’. Neste caminho, os pobres e suas crianças, que migraram para as cidades na esperança de uma vida melhor, tornaram-se uma pressão ao sistema social que não estava preparado para lidar com seus problemas.

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