A China testa um novo míssil de longo alcance
Associated Press
De Pequim
A China anunciou ontem ter testado um novo míssil de longo alcance em meio a crescentes tensões com Taiwan, considerada por Pequim uma província rebelde.
Segundo divulgou a agência de notícias oficial Nova China, sem dar maiores detalhes, o projétil disparado com êxito do território chinês era um míssil terra-terra. Para analistas militares, a China deve ter testado seu míssil intercontinental Dong Feng-31, que pode carregar uma ogiva nuclear de 700 quilos a uma distância de 8 mil quilômetros.
O teste provavelmente foi realizado no deserto de Lop Nor, em Xinjiang (noroeste do país), em uma área destinada aos testes nucleares chineses.
Já se esperava que a China realizasse um teste de míssil depois de ter ameaçado atacar Taiwan como represália às recentes declarações do presidente taiwanês, Lee Teng-hui, de que as negociações entre as duas partes deveriam ser realizadas sob o status de Estado a Estado. As declarações de Lee foram consideradas por Pequim como uma tentativa de declarar a independência da ilha, apesar dos insistentes desmentidos por parte de Taiwan.
A China realizou anteriormente vários testes de mísseis para intimidar Taiwan e pouco antes das primeiras eleições presidenciais taiwanesas, em 1996, disparou projéteis ao mar perto da ilha, destacando a vulnerabilidade de Taipé diante da desenvolvida tecnologia chinesa de mísseis.
Segundo informações da imprensa japonesa, o DF-31 foi testado pela primeira vez em maio de 1995 na Província de Shanxi, norte da China. Apesar das poucas informações disponíveis, a China é um dos poucos países do mundo - junto aos EUA e Rússia - a possuir um arsenal completo de vetores nucleares (terra, ar e mar). Seus mísseis são essencialmente estratégicos, como o Dong Feng (terra-terra) ou o Julang (mar-terra), capazes de alcançar a Europa ou os EUA.
China e Taiwan separaram-se em 1949 quando, após o fim da guerra, os nacionalistas de Chiang Kai-chek fugiram para lá. As duas partes mantêm um paz tensa, com negociações semi-oficiais sob a promessa de uma eventual reunificação.
Ainda ontem, Pequim também emitiu um furioso protesto contra os Estados Unidos, que anunciou na sexta-feira uma possível venda de aviões militares a Taiwan. O Ministério de Relações Exteriores chinês convocou o diplomata americano James Moriarty para denunciar a proposta dos EUA.





