A China, 25 anos após Mao
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de setembro de 2001
France Presse 
A herança de Mao Tsé-Tung 25 anos depois de sua morte, em 9 de setembro de 1976 , é potencialmente perigosa para o poder na China já que o forte crescimento das últimas décadas foi acompanhado por um desenvolvimento da mesma forma crescente das desigualdades sociais.
Atualmente, muitos chineses relegaram ao esquecimento o combate ideológico que caracterizou os 27 anos de poder de Mao e pensam, antes de mais nada, em seu enriquecimento pessoal, mas o pensamento radical e igualitário do estadista chinês continua presente nos espíritos.
''Até agora os dirigentes chineses foram capazes de manipular com habilidade esta situação'', estima o historiador australiano Geremie Barme, autor de um livro sobre o papel desempenhado por Mao na China de hoje. ''Mas, a longo prazo, em particular em caso de desaceleração econômica, a herança maoísta poderá causar problemas ao ser esgrimida pelos opositores'', acrescenta.
Nos dias de hoje, não é raro que os que foram deixados de lado pelas reformas econômicas recordem a época maoísta com nostalgia. De fato, os taxistas chineses, em cujos carros se pode geralmente ver um retrato de Mao, adoram fazer com seus passageiros inúmeras críticas aos ricos e aos estrangeiros.
E os nostálgicos poderão aumentar em caso de adesão da China à Organização Mundial de Comércio (OMC), o que expôs as empresas estatais e os agricultores chineses à competição internacional, causa do empobrecimento de grande parte da população.
Por sua parte, os atuais dirigentes chineses continuam organizando campanhas políticas de inspiração maoísta, como, por exemplo, por ocasião da aterrissagem, em abril passado, de um avião espião americano no sul do país, da campanha contra a delinquência, com um saldo de 1.800 execuções este ano, ou a da repressão da seita Falungong.
Apesar disso, o regime está consciente que precisa utilizar com prudência a retórica do fundador da China popular. E quem dedicou sua vida profissional ao estudo da ideologia de Mao prefere hoje guardar silêncio em relação a seus aspectos mais controvertidos.
''Parte do pensamento de Mao durante a Revolução Cultural'' (1966-1976) se converteu hoje em 'obsoleto''', declara Wang Yiqiu, membro da Academia chinesa de Ciências Sociais.
E o governo chinês, que quer que as novas elites do país adiram ao Partido Comunista, não está interessado agora em coisas do tipo ''seguir a linha das massas'' que imperavam na época maoísta.
Uma coisa é certa: ninguém imaginava há um quarto de século a magnitude das mudanças que iam ocorrer no país dominado por Mao.


