São Paulo - Em 2016, cinco jornalistas foram mortos no País por exercerem sua profissão, alçando o Brasil ao sétimo país do mundo em número de jornalistas assassinados. O levantamento faz parte do estudo "Tendências mundiais em liberdade de expressão e desenvolvimento de mídia", da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que será publicado nas próximas semanas.

O estudo revela que, em média, um jornalista é assassinado a cada quatro dias em todo o mundo. Nos últimos 11 anos, foram 930 jornalistas mortos exercendo seu trabalho. A impunidade nesse tipo de crime também é alta: a cada dez casos, apenas um é resolvido.

O índice alarmante motivou em 2013 as Nações Unidas a declararem o dia 2 de novembro como o "Dia Internacional pelo Fim da Impunidade dos Crimes contra Jornalistas". Para a Unesco, a impunidade encoraja o assassinato de jornalistas e os intimida, criando um ciclo vicioso de cerceamento da liberdade de imprensa.

À frente do Brasil no ranking estão a Guatemala, com sete jornalistas mortos; a Síria, que há seis anos vive uma guerra civil, com oito mortes; e o Iraque, envolvido na guerra contra a milícia terrorista Estado Islâmico, com nove.

O terceiro lugar é do Iêmen, que está em guerra civil desde 2015 e sofre uma grave crise de segurança alimentar. Onze jornalistas morreram no país. Em primeiro e segundo lugar estão o México e o Afeganistão; esse último completou neste ano 16 anos de conflito armado. Ambos tiveram 13 jornalistas mortos em 2016.

A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa, na sigla em espanhol) considera o México o país mais perigoso para o exercício do jornalismo na região. Em 23 de agosto deste ano, registrou-se o décimo assassinato de um jornalista mexicano. O repórter Candido Ríos, 55, foi morto em Covarrubias, no Estado de Veracruz. Ele fazia parte de um programa de proteção a jornalistas ameaçados. Desde 2016, Ríos vinha publicando reportagens sobre o envolvimento de autoridades locais com o narcotráfico no jornal "Diario de Acayucan".

A Unesco, no exercício de seu mandato de defesa da liberdade de expressão e de imprensa, dedica em seu site uma página a condenações públicas de assassinatos de jornalistas em todo o mundo.

Entre os casos ocorridos no Brasil e condenados pela agência, destaca-se o assassinato de Maurício Campos Rosa, 64, que era dono do jornal "O Grito", distribuído gratuitamente em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

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