Recife- Aliviados por terem conseguido sair do Líbano, fugindo do conflito que envolve o grupo libanês Hezbollah e Israel, 98 passageiros - 85 brasileiros, cinco libaneses naturalizados brasileiros e cinco argentinos - fizeram sua primeira escala técnica em solo brasileiro ontem, às 12h40, no Aeroporto Internacional dos Guararapes, no Recife.
O alívio era equivalente à preocupação com os amigos e parentes que ficaram no país. ''Meu marido e meus primos ainda estão lá'', contou Joheina Mankara, angustiada com o que se passa no Líbano, ''um país encantador que, infelizmente, está sendo palco desse terrorismo barato que está assustando o mundo todo''. Residente em São Paulo, ela chegou a Beirute no dia 10 para passar férias. Voltou com as duas filhas.
Cansados, depois de mais de 30 horas de viagem que incluiu trajeto de ônibus desde Beirute, com passagem pela Síria, até Ankara, na Turquia - onde pegaram o avião 707 da Força Aérea Brasileira -, alguns deles contaram do temor, da tristeza e da agonia que vivenciaram, em rápida entrevista à imprensa na sala de trânsito do aeroporto, durante escala técnica, antes de decolarem às 14h15 com destino a São Paulo.
De acordo com os passageiros, a prioridade para o embarque de volta ao Brasil foi dada aos turistas brasileiros. Eles se encontraram perto de um hotel em Beirute para pegar os três ônibus que levavam grandes bandeiras brasileiras no teto para identificar um país fora do conflito e evitar ataques aéreos.
As bandeiras foram retiradas em solo sírio até Ankara. Sem exceção, os entrevistados consideraram muito tensa a viagem terrestre. O comboio foi acompanhado por três carros de apoio da missão brasileira e realizada em 16 horas. Para o comerciante Zouhair Haidar, 49 anos, libanês radicalizado no Brasil desde os cinco anos, a etapa de ônibus foi difícil, especialmente pela insegurança e pelas crianças que, traumatizadas com bombas e estrondos, não podiam ouvir nenhum barulho que ficavam assustadas.
A grande maioria dos civis se refugiou nas montanhas, distante da área do Hezbollah, depois do início dos bombardeios. Mankara e sua família - seu marido é libanês radicalizado no Brasil - também permaneceram lá. ''Dava para ouvir, só não se sabia onde acontecia''.
Na avaliação do comandante da aeronave, o tenente-coronel da Força Aérea Brasileira, Salvini Krieger, ''este não foi o seu vôo mais tenso, mas o mais importante'', pela possibilidade de salvar vidas. Segundo ele, a euforia dos passageiros ao entrarem no avião em Ankara foi muito maior do que a reação ao anúncio da chegada em solo brasileiro.

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