824 milhões de pessoas passam fome no mundo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 03 de agosto de 2001
France Presse<BR>De Dacar, Senegal 
Jacques Diuf, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), informou ontem em Dacar que 824 milhões de pessoas passam fome no mundo, enquanto a ajuda ao desenvolvimento agrícola caiu 15%. Diuf, que atribuiu a persistência da fome e da pobreza à falta de uma vontade política por parte dos Estados, fez estas declarações na capital senegalesa onde faz uma visita no âmbito da preparação da cúpula mundial para a alimentação que terá lugar em Roma em novembro.
O diretor-geral da FAO reconheceu, no entanto, que as disposições tomadas pelos países do G-8 (os sete países mais industrializados e a Rússia) na cúpula de Gênova (Itália), com relação à ajuda para o desenvolvimento destinada aos países do sul, são um claro sinal das mudanças em curso.
Pela primeira vez os problemas de agricultura foram inscritos na ordem do dia da cúpula do G-8 e o comunicado final da cúpula reflete a importância da luta contra a pobreza, afirmou Diuf.
Ao ser interrogado pela AFP sobre o regresso à agricultura biológica e utilização dos organismos geneticamente modificados (OGM), o diretor da FAO respondeu que essas opções não são, no momento, uma prioridade.
A prioridade é o acesso à água, a intensificação da agricultura, o aumento da produtividade e a utilização nos países do sul de variedades agrícolas para aumentar os rendimentos em pequena escala, afirmou.
Na África, o acesso à água só é efetivo em 7% de terras cultiváveis, frente aos 34% da Ásia.
Os conflitos, guerras e problemas sociopolíticos, aos quais se somam os fatores climáticos, complicam os problemas agrícolas da África, explicou Diuf.


