62,2% dos holandeses rejeitam Carta da UE
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de junho de 2005
France Presse 
Haia- A Holanda infligiu um novo golpe à Constituição européia, três dias após o ''não'' francês, ao rejeitá-la em massa ontem em um referendo no qual 62,2% dos habitantes deste país fundador da União Européia (UE) disseram ''não'' ao texto, segundo projeções feitas a partir da apuração de metade dos votos.
O nível de participação popular atingiu 63%, ou seja, muito além dos 30% mencionados pelos principais partidos políticos para levar em conta o resultado deste plebiscito.
Assim, o nível de participação popular é superior em 23 pontos ao das eleições européias de junho de 2004, e mostrou a mobilização dos 11,6 milhões de holandeses. ''É uma festa para a democracia'', comentou Ruud Koole, o presidente dos social-democratas (PvdA, oposição).
Na França, o ''não'' triunfou com 54,67% dos votos. ''Estamos muito felizes com o fato de que os holandeses não tenham se intimidado ante o espantalho brandido pelo governo'', frisou por sua vez Mat Herben, deputado da Lista Pim Fortuyn (LPF, populista, oposição), um dos mais fervorosos defensores do ''não''.
Os partidários do ''não'' reúnem na Holanda os protestantes mais conservadores, a LPF, o Partido Socialista e o deputado de extrema-direita Geert Wilders, ou seja, apenas 22 das 150 cadeiras do Parlamento. ''Na Holanda, mais de 40% das pessoas consideram que a Europa está indo rápido demais em relação ao euro e à ampliação aos países do Leste e à Turquia. O 'não' é um claro sinal enviado aos políticos para dizer: 'parem com isso e ouçam-nos''', explicou Maurice de Hond, diretor de um dos principais institutos de pesquisa da Holanda.
De acordo com as pesquisas, os holandeses temem uma dissolução de seu pequeno país na Europa ampliada e a intervenção de Bruxelas em questões como a política liberal em matéria de drogas ''leves'', de casamento gay ou relativa à eutanásia (autorizada na Holanda sob certas condições). Além disso, a Holanda é o primeiro contribuinte do orçamento da UE.
Entre os outros motivos da rejeição do Tratado Constitucional europeu está o temor de um afluxo em massa de trabalhadores do Leste europeu e a possível adesão da Turquia. ''Votei não porque não confio no governo'', declarou um aposentado de 65 anos em um centro de votação do centro de Amsterdã. Ele também criticou a ampliação da UE a 25 países.
Na noite de domingo, depois da rejeição francesa, ele havia exortado seus compatriotas a ''não tirar lições dos franceses e fazer sua própria escolha''. Porém, a impopularidade do governo de Balkenende (19% de opiniões favoráveis) e dos ''tecnoratas de Bruxelas'' constituía mais um argumento para os defensores do ''não''. A rejeição holandesa ao Tratado Constitucional não provocará a derrubada do governo de Haia, como aconteceu na França na terça-feira.


