5 milhões estão desabrigados na Ásia
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sexta-feira, 31 de dezembro de 2004
France Presse 
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Jacarta - Mais de 120 mil pessoas morreram vítimas dos tsunamis de domingo no sul da Ásia e este número ainda pode aumentar nos próximos dias, mas a preocupação mundial está centrada nos 5 milhões de desabrigados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com esta instituição, os sobreviventes da tragédia estão desamparados neste momento, sem alimentos ou água potável e, portanto, vulneráveis às doenças.
Diante da amplitude da catástrofe, observa-se mobilização internacional sem precedentes. Já foram liberados mais de 340 milhões de dólares e os governos ocidentais estudam a possibilidade de aliviar a dívida dos países devastados pela tragédia. No entanto, esses esforços ainda não são suficientes para suprir as necessidades básicas dessas populações, com o que as Nações Unidas pediram uma ajuda de pelo menos 1,6 bilhão de dólares. Ontem, o Banco Mundial anunciou que vai liberar cerca de 250 milhões de dólares.
As equipes de socorro - divididas entre a busca, a identificação e o enterro dos corpos das vítimas, de um lado, e o apoio aos sobreviventes, do outro - estão conseguindo chegar às áreas mais isoladas.
A situação é particularmente dramática no norte da ilha indonésia de Sumatra. Localizada em frente ao epicentro do terremoto, a região de Aceh perdeu cerca de 80.000 habitantes e 80% da costa oeste da província ficou destruída, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Nesta região, centenas de milhares de pessoas estão desabrigadas. Cinco milhões de pessoas estão desabrigadas e em perigo na região afetada pelos tsunamis, declarou Harsaran Pandey, a porta-voz da OMS no sudeste asiático.
Já traumatizados com o terremoto de domingo, os moradores de Sumatra tiveram de enfrentar o terror de novas réplicas na madrugada de ontem. A maioria não pode receber ajuda internacional, porque as estradas estão bloqueadas e há escassez de combustíveis. Famintas, algumas pessoas começam a procurar comida no lodo. Isto aumenta o risco de epidemias ligadas ao envenenamento da água pelos corpos em decomposição e a infiltração da água do mar nos bueiros.
Os corpos em decomposição provocarão doenças como o cólera e a diarréia se não agirmos rapidamente, explicou AFP William Carré, da ONG francesa Bombeiros sem Fronteiras.
Os outros países afetados - principalmente o Sri Lanka, com 29 mil mortos, a Índia, com mais de 11 mil e a Tailândia, com 2.500 - também estão ameaçados por este problema. Os tsunamis também afetaram, em menor grau, a Birmânia (90 mortos, segundo a ONU), as Maldivas (75), a Malásia (66), o Bangladesh (2), e alguns países africanos, como a Somália (132), a Tanzânia (10) e o Quênia (1).


