Paris - Ninguém é imune ao HIV, mas o risco de contrair este vírus não é o mesmo para toda a população: a comunidade internacional está em estado de alerta diante do aumento alarmante de casos da doença registrados entre as mulheres.
Esta diferença será o centro das discussões na comemoração do Dia Internacional de Luta contra a Aids, amanhã. Entre os 39,4 milhões de portadores do vírus da Aids no mundo, 47% são mulheres, um aumento de 6% em relação a 1997, segundo dados da ONU.
Na África Subsaariana, a região mais afetada do mundo por esta doença, 57% das pessoas infectadas são mulheres. No grupo de 15 a 24 anos, mais de três em cada quatro infectados são do sexo feminino. Em outras regiões também foi registrado um aumento alarmante de casos entre as mulheres, um mudança em comparação com a antiga maioria de infectados, que era principalmente usuários de drogas injetáveis ou homossexuais.
No leste da Europa, na Ásia central e na América Latina mais de um terço das pessoas com o HIV são mulheres. No sudeste da Ásia, 30% dos adultos (contra 28% de dois anos atrás) e 40% dos jovens que vivem com a Aids são do sexo feminino.
Entre as causas deste avanço está o fato de as mulheres serem psicologicamente mais vulneráveis à Aids que os homens. As adolescentes e as mulheres que já passaram pela menopausa têm tecido muscular vaginal mais fino que as que estão em sua época máxima de fertilidade, indicam alguns estudos.
O músculo atua como um lubrificante nas relações sexuais, protegendo a vagina e tornando-se uma barreira imunológica parcial. Menos músculo significa menos proteção contra pequenos cortes que ajudam o HIV a penetrar no sangue através do esperma infectado. Além disso, há os problemas sociais, legais e morais que atingem as mulheres.
Estas questões podem se tornar verdadeiros pesadelos devido aos tabus sexuais, as tradições familiares e o papel preponderante do homem em algumas sociedades. Os riscos para as mulheres incluem a contaminação por seus próprios maridos.
Os homens que se infectam com prostitutas e depois transmitem o vírus a suas esposas se tornaram uma das principais causas da propagação da doença, sobretudo na Ásia. ''Para a maioria das mulheres, o maior risco de contaminação com HIV é estar casada'', indicaram os especialistas Elizabeth Reid e Michael Bailey, em estudo publicado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).
Na África, por exemplo, as mulheres muitas vezes são submissas aos maridos e não podem se negar a fazer relações sexuais sem proteção. Como se não bastasse, muitos africanos acreditam em uma superstição segundo a qual fazer sexo com uma virgem livra o homem do vírus da Aids.
No entanto, o maior problema é a pobreza. A falta de recursos obriga muitas mulheres a se prostituir em troca de dinheiro e a respeitar as condições impostas por seus clientes. Isso tudo somado à ignorância e à falta de informações relacionadas ao sexo.

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