La Paz - As seções eleitorais bolivianas fecharam suas portas às 16h (18h de Brasília) de ontem, e teve início a contagem dos votos que vão determinar o novo presidente, Congresso e governadores dos departamentos.
Depois de oito horas de um dia de votação, cumpriu-se o prazo formal de fechamento, embora algumas seções tenham iniciado seu trabalho com atraso, ficando abertas um pouco mais.
Três milhões e meio de bolivianos foram às urnas para escolher o presidente que os governará a partir de 22 de janeiro, em uma eleição que tem de um lado o indígena cocalero Evo Morales - favorito nas pesquisas - e de outro o ex-presidente conservador Jorge Quiroga. A votação transcorreu calma nas seções eleitorais do país, formado por um território de um milhão de quilômetros quadrados das planícies tropicais do leste até o planalto de 4.000 metros de altura.
Numa votação que também vai eleger o novo Congresso e - pela primeira vez na história do país - os governadores dos nove departamentos, a Bolívia teve de escolher entre o modelo de esquerda do líder cocalero ou o sistema mais ortodoxo proposto por Quiroga, um tecnocrata formado nos Estados Unidos.
Morales era apontado pelas últimas pesquisas com 35% contra 29% para Quiroga, o que fazia prever uma votação acirrada, em que nenhum dos dois superaria os 50% necessários para ser proclamado presidente ainda no domingo.
Se confirmado o prognóstico, será o Congresso - com 27 senadores e 130 deputados eleitos nesta jornada - o responsável por decidir quem será o novo presidente do país.
Uma vitória de Morales poderá gerar uma mudança radical na Bolívia, já que ele promove a liberdade do cultivo de coca - uma planta medicinal que é base da cocaína - e um controle férreo do Estado sobre as multinacionais que gerenciam os recursos naturais do país.
O cocalero também anunciou que, em sua eventual administração, acabará com a cocaína e com o narcotráfico, mas não com a coca.
''A coca pariu este movimento dos ovos, este instrumento político. A defesa dessa folha fez o povo se organizar'', afirmou.
As eleições são seguidas com interesse particular pelos Estados Unidos, que vêem em Morales um perigo em seu plano de luta antidrogas e não aprovam seus vínculos com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e o líder cubano, Fidel Castro.

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