3.200 mortos durante a ditadura
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terça-feira, 09 de janeiro de 2001
Ansa De Santiago do Chile 
Referindo-se ao período de governo de Pinochet (1973-1990), o presidente chileno Ricardo Lagos, em discurso à nação pronunciado domingo à noite, disse que um número expressivo de dissidentes políticos que desapareceram nos primeiros meses de seu regime autoritário foram mortos e atirados no mar.
Militares chilenos de diversos escalões, da ativa ou da reserva, colaboraram nas investigações para determinar a sorte de mais de 1.100 dissidentes políticos que desapareceram após serem detidos pelos serviços de segurança de Pinochet, disse Lagos.
Seis meses de investigações resultantes de um acordo feito no ano passado envolvendo militares, representantes das igrejas, advogados e ativistas de organizações de direitos humanos revelaram informações sobre a sorte de 180 pessoas, afirmou o presidente.
A informação se refere a mortes, sepulturas clandestinas, corpos atirados no mar, nos lagos e rios do Chile, disse o presidente, que recebeu os documentos contendo as informações na sexta-feira e os encaminhou à Corte de Justiça.
Muitos dos corpos jamais serão encontrados, ele acrescentou.
Cerca de 3.200 pessoas foram mortas por razões políticas durante os 17 anos de governo autoritário de Pinochet, e 1.197 dissidentes desapareceram, de acordo com um relatório elaborado durante o governo civil que sucedeu Pinochet.
Em seu discurso de domingo, Lagos elogiou as Forças Armadas por fornecerem as informações e admitirem os abusos. Os militares, disse Lagos, compartilham da dor provocada por esses atos. Os uniformizados de hoje tiveram de responder pelas ações dos uniformizados de ontem.
O juiz Juan Guzmán, que está à testa do processo contra o ex-ditador, tenta retomar o processo contra ele por atrocidades cometidas apenas pela caravana da morte.


