Referindo-se ao período de governo de Pinochet (1973-1990), o presidente chileno Ricardo Lagos, em discurso à nação pronunciado domingo à noite, disse que um número expressivo de dissidentes políticos que desapareceram nos primeiros meses de seu regime autoritário foram mortos e atirados no mar.
Militares chilenos de diversos escalões, da ativa ou da reserva, colaboraram nas investigações para determinar a sorte de mais de 1.100 dissidentes políticos que desapareceram após serem detidos pelos serviços de segurança de Pinochet, disse Lagos.
Seis meses de investigações – resultantes de um acordo feito no ano passado envolvendo militares, representantes das igrejas, advogados e ativistas de organizações de direitos humanos – revelaram informações sobre a sorte de 180 pessoas, afirmou o presidente.
‘‘A informação se refere a mortes, sepulturas clandestinas, corpos atirados no mar, nos lagos e rios do Chile’’, disse o presidente, que recebeu os documentos contendo as informações na sexta-feira e os encaminhou à Corte de Justiça.
Muitos dos corpos jamais serão encontrados, ele acrescentou.
Cerca de 3.200 pessoas foram mortas por razões políticas durante os 17 anos de governo autoritário de Pinochet, e 1.197 dissidentes desapareceram, de acordo com um relatório elaborado durante o governo civil que sucedeu Pinochet.
Em seu discurso de domingo, Lagos elogiou as Forças Armadas por fornecerem as informações e admitirem os abusos. Os militares, disse Lagos, ‘‘compartilham da dor provocada por esses atos. Os uniformizados de hoje tiveram de responder pelas ações dos uniformizados de ontem’’.
O juiz Juan Guzmán, que está à testa do processo contra o ex-ditador, tenta retomar o processo contra ele por atrocidades cometidas apenas pela ‘‘caravana da morte’’.

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