São Paulo - Mais de 300 adolescentes palestinos estão regularmente sujeitos a abusos físicos e psicológicos em prisões israelenses, disseram ontem dois grupos de defesa dos direitos humanos. O Exército de Israel negou as acusações.
Os grupos Defense for Children International e Save the Children disseram que 373 palestinos com menos de 18 anos estão presos em Israel. Ao menos três dos presos têm menos de 14 anos, afirmaram os grupos.
Os grupos disseram que o tratamento dos adolescentes palestinos presos pelas autoridades israelenses atinge um padrão de violência que não está sendo acompanhado há anos.
''As crianças sofrem abusos físicos e mentais e estão privadas de sua família e de uma educação'', afirmou Tov Myhrman, conselheiro do Save the Children.
O capitão Jacob Dallal, porta-voz do Exército de Israel, rejeitou as acusações. ''Negamos todas as alegações de abuso e tortura'', afirmou. ''Rejeitamos essas declarações que são simplesmente falsas.''
Grupos militantes palestinos têm usado crianças para carregar explosivos, com a esperança de evitar a detenção israelense.
Ontem, os dois grupos lançaram informes que documentam centenas de casos de crianças palestinas, todas com menos de 18 anos, que foram presas e encarceradas em prisões israelenses. Nos informes, muitas crianças descrevem abusos.
Segundo o Defense for Children International, a grande maioria das crianças palestinas detidas em prisões israelenses está presa por jogar pedras contra soldados de Israel.
Dallal afirmou que adolescentes estavam envolvidos em ataques. De cerca de cem ataques suicidas, 29 foram realizados por adolescentes com menos de 18 anos, afirmou Dallal, acrescentando que outros estavam envolvidos em contrabando de armas e outras atividades violentas.
Segundo Dallal, adolescentes palestinos são tratados da mesma maneira que menores israelenses na prisão.
Os grupos de direitos humanos afirmaram que a maioria das crianças detidas, após serem presas, é interrogada por três escritórios do governo israelense, não pode ter acesso a suas famílias e a advogados durante o interrogatório e é mantida em prisões superlotadas, sem condições adequadas de higiene.
Em 2003, mais de 650 crianças foram presas pelo Exército de Israel.

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