São Paulo - Pesquisa divulgada pelo Pew Research Center ontem mostra que a diferença entre as intenções de voto nas eleições americanas de hoje é de apenas quatro pontos percentuais (47% para democratas e 43% para republicanos). Há duas semanas, a vantagem democrata era de 11 pontos percentuais: 50% contra 39%.
O resultado da nova pesquisa pode ou não ter sofrido influência da decisão judicial que condenou o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein à forca, no último domingo, mas a notícia é animadora para os republicanos, partido do presidente George W. Bush - que vem sendo duramente criticado por sua estratégia de condução da Guerra do Iraque.
Entre os eleitores registrados, que devem mesmo comparecer às urnas, a diferença é de oito pontos percentuais - 48% preferem democratas e 40% republicanos. Nos EUA, o voto não é obrigatório.
A diminuição da diferença entre os dois partidos lança dúvidas sobre as previsões de que o Partido Democrata receberá votos suficientes para reconquistar o controle da Câmara dos Representantes (deputados). A pesquisa foi feita com 2.912 possíveis eleitores, entre os dias 1º e 4 de novembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.
Bush e Saddam- O anúncio do veredicto de Saddam Hussein (condenado à forca) foi feito dois dias antes das eleições americanas, mas Bush negou relação entre as datas. Segundo a Casa Branca, a data do veredicto foi escolhida por processos da própria corte iraquiana que julgou o ex-ditador.
Ainda assim, após a condenação, declarações de Bush soaram diretamente voltadas para eleitores republicanos, ao tocar na questão da segurança nacional. Segundo reportagem publicada ontem pelo jornal ''The New York Times'' (NYT), Bush se aproveitou rapidamente do anúncio para reforçar sua estratégia central de tentar convencer eleitores republicanos a participarem da votação.
Apesar de negarem a relação entre as datas do julgamento e as eleições, candidatos republicanos também sugeriram que a decisão de domingo (a condenação de Saddam) pode se converter em benefícios políticos nas urnas. Um alto oficial do Partido Republicano, que pediu anonimato, disse que a condenação iria revigorar os eleitores republicanos que estavam desanimados com o Iraque.
Já os democratas, apesar de também comemorarem a condenação de Saddam, tentaram minimizar a impressão do veredicto e seu suposto efeito de gerar estabilidade ao Iraque.
Para o senador democrata Charles E. Schumer, de Nova York, um dos principais agentes da tentativa da oposição de reconquistar o controle do Senado, ''as pessoas estão preocupadas com o futuro do Iraque, não com seu passado''.
Hoje, cerca de 200 milhões de eleitores nos EUA irão às urnas para renovar toda a Câmara dos Representantes (deputados), um terço do Senado e 36 governadores dos 50 Estados do país. O voto nos EUA não é obrigatório.

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