18 crianças morrem em ataque no Iraque
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 13 de julho de 2005
Folhapress 
Um carro-bomba explodiu ontem perto de um grupo de militares americanos que distribuíam doces a crianças em um bairro pobre habitado por cristãos e xiitas em Bagdá, matando ao menos 27 pessoas, das quais ao menos 18 eram crianças com idades entre 4 e 13 anos. Um soldado americano também foi morto. Pelo menos 70 outras pessoas ficaram feridas no atentado, entre os quais estão três soldados americanos e um bebê de quatro dias.
A explosão no bairro de Al Jedidah provocou cenas angustiantes de dor. Mulheres vestidas de negro choravam e batiam no próprio peito e no rosto enquanto os corpos eram colocados em pequenos caixões e retirados. O impacto da bomba deixou uma cratera na rua em que restaram alguns chinelos das crianças, junto a pedaços de corpos.
''Por que atacam os civis, os iraquianos, nossos filhos? Só destruíram uma vida americana, mas mataram dezenas de crianças'', chorava Hassan Mohamed, que perdeu o filho Alaa, de 13 anos, no ataque. ''Eles estavam distribuindo doces e brinquedos às crianças, e, de repente, um carro foi em direção aos veículos militares americanos e explodiu'', disse Basim al Gaiedi, morador do bairro.
Segundo testemunhas, a explosão destruiu parte de uma casa, matando uma família que tomava o café da manhã no quintal. Quatro trabalhadores que descansavam na calçada também teriam sido mortos.
Não é a primeira vez em que terroristas atingem crianças em ataques semelhantes. Em setembro, dois carros-bomba mataram ao menos 34 crianças que haviam cercado um grupo de militares americanos durante a inauguração de uma estação de tratamento de esgoto em Bagdá.
Para o Exército dos EUA, a ação contra as crianças foi deliberada. ''O terrorista tomou uma decisão deliberada de atacar um de nossos veículos enquanto os soldados estavam ocupados em uma operação pacífica com cidadãos iraquianos'', disse o major Russ Goemaere, porta-voz da 3 Divisão de Infantaria do Exército americano. ''O terrorista indubitavelmente viu as crianças ao redor do veículo quando atacou. A completa indiferença pela vida de civis nesse ataque é absolutamente abominável'', afirmou.
O tenente-coronel Clifford Kent, relações públicas da divisão, negou, porém, que os militares estivessem distribuindo doces e brinquedos às crianças, sem detalhar a natureza da operação.


